SÃO PAULO — Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram falhas na execução de dois projetos financiados por emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP) em Pirassununga, no interior de São Paulo. As iniciativas, ligadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), receberam R$ 2 milhões para ações de educação digital e esportes de combate.
O caso aparece em uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas contra Frias, Karina Ferreira da Gama, presidente do ICB, e fornecedores. Karina é produtora do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No projeto esportivo Lutando pela Vida, houve pagamento de R$ 457,8 mil à empresa Pulsa Uniformes e Camisetas Personalizadas por quimonos, faixas, uniformes e 120 placas de tatame. Segundo a decisão, o valor foi quitado integralmente em 26 de maio de 2026, mas não havia comprovação de entrega.
A fornecedora informou à CGU, em julho, que os materiais ainda estavam em fabricação e que nenhum item faturado havia sido entregue. A informação foi confirmada em inspeção realizada no dia 6 de julho de 2026. O ICB apresentou um termo parcial dizendo que os tatames haviam sido entregues em maio, mas os auditores identificaram outra compra, de 120 placas, feita com fornecedor diferente por R$ 58,8 mil.
A CGU também apontou falhas na comprovação das aulas. Seis prestadores de serviços receberam R$ 94,5 mil entre março e julho de 2026. O instituto apresentou fichas de matrícula, planilhas de frequência, fotos e um relatório parcial, mas o órgão considerou os documentos insuficientes. Segundo a auditoria, não foram apresentados “listas mensais assinadas, relatórios individualizados ou outros registros independentes” que relacionassem os pagamentos às aulas, turmas e cargas horárias.
Projeto de educação digital
O projeto Jovem Empreendedor recebeu R$ 1 milhão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em 17 de fevereiro de 2025. A proposta previa materiais educativos, capacitação de 250 multiplicadores e atendimento a 2.250 estudantes da rede pública.
O dinheiro foi dividido entre seis empresas. Cinco foram alvo de buscas: Dinâmica Editora e Distribuidora de Livros, Instituto Super Poder Educacional, MTS Assessoria e Consultoria, LF&P Consulting e Marcelo Machado 7 Comunica. A Projetus não foi alvo.
Os pagamentos terminaram em fevereiro de 2026, mas o próprio ICB informou, em relatório de 25 de maio, que ainda faltavam treinamento operacional, organização das turmas e realização das atividades. O instituto afirmou ter concluído 2,5 mil kits físicos, implantado a plataforma e preparado o conteúdo, mas disse que apresentaria listas, fotos e vídeos depois das atividades com os alunos.
A vigência do projeto terminou em 11 de janeiro de 2026. O pedido de prorrogação por mais 12 meses foi feito em 28 de maio, após o encerramento do prazo. O MCTI negou a solicitação em 2 de junho e, em 9 de julho, deu parecer pela rejeição das contas. A CGU concluiu que não foram capacitados os 250 multiplicadores nem atendidos os 2.250 estudantes previstos.
A operação da Polícia Federal e da CGU realizada nesta quinta-feira (10/9) investiga suspeitas de irregularidades e desvio de recursos públicos de emendas parlamentares.








