SÃO PAULO — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que o secretário de Segurança de São Paulo entregue à Polícia Federal os dados extraídos dos celulares apreendidos na investigação sobre emendas parlamentares. Os aparelhos pertencem a pessoas físicas e jurídicas investigadas e foram recolhidos em junho deste ano.
A decisão, que retirou o sigilo do documento neste domingo (13/9), também cita o deputado federal Mario Frias (PL) como figura central da apuração conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. O caso envolve suspeitas de fraude contratual, uso irregular de dinheiro público e lavagem de dinheiro.
Os investigadores analisaram movimentações financeiras ligadas a Frias, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), à empresa Complexsys e à Academia Nacional de Cultura (ANC). O deputado destinou emendas ao ICB, administrado pela empresária Karina Gama, sócia da Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com a investigação, o ICB contratou empresas para serviços técnicos, mas os valores acabaram repassados de volta ao instituto. Frias é descrito no documento como “participante ativo da engrenagem financeira sob investigação, realizando movimentações incompatíveis com sua capacidade econômica conhecida”.
Na decisão, Dino afirma que existem “fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas”. O ministro também registra que o deputado teria ocupado papel de liderança na suposta arquitetura criminosa, considerando o cenário hipotético da investigação.








