SÃO PAULO — A Polícia Civil de São Paulo identificou uma ligação entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina da Gama, e Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). Alex também responde por feminicídio.
A empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia, da qual Alex era sócio único, foi subcontratada pelo ICB para instalar pontos de wi-fi previstos em contrato com a Prefeitura de São Paulo. O acordo entre a ONG e a empresa foi firmado por R$ 12 milhões. Até a prisão de Alex, em dezembro de 2025, ele teria recebido R$ 2 milhões.
A Polícia Civil investiga o contrato por suspeita de sobrepreço. Um relatório enviado ao Ministério Público registra “expressiva discrepância econômica entre os valores anteriormente praticados pelo município e aqueles pactuados com o Instituto Conhecer Brasil”. Em contratos anteriores da prefeitura com a Prodam, o custo informado era de R$ 230 pela implantação e R$ 306 mensais pela manutenção de cada ponto. No contrato com o ICB, foi previsto pagamento de R$ 1.800 por mês por ponto instalado.
Investigação sobre a empresa
Documentos de prestação de contas indicam que a Favela Conectada teria instalado mais de 900 pontos de internet e recebido mais de R$ 3,8 milhões em pagamentos registrados pelo ICB até dezembro de 2025. Depois da prisão de Alex, a empresa teria sido transferida formalmente para Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, que morava no mesmo endereço do antigo sócio. A companhia passou a se chamar Urban Connect.
A polícia afirma que a mudança ocorreu sem alteração substancial nas atividades e investiga possível blindagem patrimonial e ocultação de pessoas. Em outra manifestação, os investigadores classificaram a Urban Connect como suspeita de participação em possível “desvio de finalidade de verbas públicas e simulação contratual”.
Alex já foi preso outras vezes nos últimos 20 anos e foi condenado por estelionato, roubo e receptação. Atualmente, responde pela acusação de matar a então companheira.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo dos documentos em 13 de setembro de 2026. Na decisão, afirmou que a suposta organização investigada “alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC”, conforme uma linha de apuração dos autos. O documento não identifica Alex nominalmente como origem dessa conexão.
Os documentos analisados não mostram que Alex tenha participado diretamente da produção de Dark Horse ou mantido relação pessoal com os responsáveis pelo filme fora do contrato do Wi-Fi Livre. A contratação da Favela Conectada foi feita pelo ICB, e não pela Go Up Entertainment, produtora responsável pela cinebiografia de Jair Bolsonaro.









