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ICB repassou R$ 3 milhões a empresa ligada a investigado por suposto vínculo com o PCC
Foto: Instagram/Jim Caviezel
Política

ICB repassou R$ 3 milhões a empresa ligada a investigado por suposto vínculo com o PCC

Notas fiscais mostram pagamentos à Favela Conectada, subcontratada para o WiFi Livre SP e depois rebatizada como Urban Connect.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado pela produtora Karina Gama, repassou R$ 3 milhões à Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. A empresa tinha entre os sócios Alex Leandro Bispo dos Santos, citado em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), como suposto integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os pagamentos ocorreram dentro de um contrato relacionado ao WiFi Livre SP, programa de internet gratuita da Prefeitura de São Paulo. As notas fiscais registram R$ 500 mil em 24 de junho, R$ 500 mil em 4 de julho e R$ 2 milhões em 7 de julho de 2025. Os documentos descrevem os serviços como a disponibilização, sem cessão definitiva, de conteúdos de imagem e texto pela internet.

A Favela Conectada foi subcontratada pelo ICB para atuar no programa. Segundo a Polícia Civil, o contrato entre as entidades tinha valor final de R$ 12 milhões. A empresa havia recebido mais de R$ 2 milhões até dezembro de 2025, conforme a investigação.

Alteração societária após prisão

Após a prisão preventiva de Alex, a sociedade da empresa foi formalmente transferida para Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes. Depois, a Favela Conectada passou a se chamar Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda.

Uma representação da Polícia Civil incorporada ao inquérito aponta suspeitas sobre a contratação e as mudanças societárias. Os investigadores afirmam que o contrato original não apresentava informações consideradas essenciais sobre a qualificação do representante da empresa, identificado inicialmente apenas como “Alex”.

A polícia também registrou que Tatiane residiria no mesmo endereço do antigo sócio e que não teria ocorrido alteração substancial na execução das atividades empresariais. Com base nesses elementos, a autoridade policial mencionou suspeita de “blindagem patrimonial e ocultação de pessoas”. A hipótese ainda é investigada e não representa conclusão definitiva sobre a ocorrência de crimes.

Investigação sobre os recursos

A contratação da Favela Conectada está entre as subcontratações feitas pelo ICB para executar o WiFi Livre SP. A Polícia Civil apura a destinação dos recursos recebidos pelo instituto, o caminho percorrido pelo dinheiro público e as relações entre empresas e pessoas que receberam valores.

Relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também integram a investigação. Os documentos identificaram empresas que receberam e redistribuíram recursos, além de conexões financeiras entre pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Neste domingo (13), Flávio Dino voltou a mencionar a possível ligação de Alex com a facção criminosa ao justificar a manutenção do inquérito sob responsabilidade da Polícia Federal.

A defesa de Karina Gama afirmou que ela não praticou qualquer ilícito e que apresentou voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentos. Também declarou que investigação não equivale a acusação ou condenação e que a produtora continuará colaborando com as autoridades, exercendo o direito de defesa.

A defesa considera positiva a decisão de levantar o sigilo sobre os elementos da investigação e afirma confiar que os documentos, contratos e pagamentos sejam examinados tecnicamente, dentro da legalidade.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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