SÃO PAULO — Uma representação da Polícia Civil de São Paulo aponta que o Instituto Conhecer Brasil (ICB) emitiu mais de R$ 1,4 milhão em notas fiscais contra o próprio instituto durante a execução do contrato do programa WiFi Livre SP, da Prefeitura de São Paulo. O acordo tem valor de R$ 108 milhões.
A informação aparece em uma manifestação do Ministério Público estadual apresentada em resposta a um pedido de busca e apreensão da Polícia Civil. O documento integra a investigação sobre possíveis desvios de recursos do programa municipal para atividades relacionadas à produção de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O conteúdo dos autos foi divulgado neste domingo (13), após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, retirar o sigilo de documentos ligados à apuração sobre possível direcionamento de emendas para o financiamento da cinebiografia.
A representação policial também menciona cerca de R$ 925 mil em pagamentos que teriam sido feitos em duplicidade. De acordo com o Ministério Público, essas suspeitas foram registradas ainda em parecer técnico da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, responsável pelo contrato. A manifestação afirma que “a representação aponta [...] a ocorrência de autofaturamento e pagamentos em duplicidade”.
Subcontratação e investigação
Outro ponto citado envolve a subcontratação da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., atualmente chamada Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda. A empresa foi contratada pelo valor global de R$ 12.000.000,00 e teria recebido mais de R$ 2.000.000,00 até dezembro de 2025.
O contrato entre o ICB e a secretaria previa a instalação, a operação e a manutenção de 5.000 pontos públicos de internet em comunidades periféricas da capital paulista. Os repasses estimados eram de R$ 108 milhões.
A Polícia Civil também aponta suspeitas de desvio de finalidade e de confusão patrimonial envolvendo Karina Ferreira da Gama, controladora do ICB, e a Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. Segundo relatório da investigação, há indícios de que recursos do WiFi Livre SP tenham sido usados para financiar a produção sobre Bolsonaro.
Em nota, a defesa de Karina Gama afirmou que ela não praticou ilícitos, que continuará colaborando com as autoridades e que a investigação não equivale a acusação ou condenação. A defesa também disse ter apresentado voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentos e declarou confiar que a análise integral dos fatos esclarecerá o caso.







