A jornalista Izabella Camargo afirmou que a dificuldade de descansar pode ser aprendida dentro da família e reforçada pela cultura. Para ela, crenças sobre produtividade ajudam a transformar o sono e o lazer em atividades vistas com desconfiança ou como perda de tempo.
Em participação no programa “Na Palma da Mari: Entre Mulheres”, Izabella contou que, antes de receber o diagnóstico de síndrome de burnout, dormia somente no período que sobrava na agenda. “Eu achava que eu podia me deixar para depois”, disse.
Crenças sobre o trabalho
A jornalista afirmou que o envolvimento com a própria profissão produzia uma sensação enganosa de segurança. Segundo Izabella, parecia difícil imaginar que o excesso de dedicação pudesse levar ao adoecimento justamente quando a atividade realizada era motivo de satisfação. “Imagina que você vai adoecer por fazer demais o que você ama”, declarou.
Ela também explicou que a relação com o descanso varia conforme o ambiente familiar em que cada pessoa cresce. Em alguns contextos, parar pode ser interpretado como falta de disposição ou motivo de reprovação. Izabella disse que reconhecer essa influência não significa responsabilizar as famílias, mas observar padrões antigos que podem ser reavaliados.
Excesso de trabalho
Durante a conversa, Izabella citou o karoshi, fenômeno japonês que descreveu como morte súbita causada pelo excesso de trabalho. Ela afirmou que o Japão oferece indenização às famílias de vítimas desde a década de 1980.
A jornalista relatou ainda ter ouvido, em um restaurante, uma senhora dizer que “nunca ninguém morreu de trabalhar”. Para Izabella, a frase mostra como essa visão continua presente no cotidiano.
Na avaliação dela, a mudança depende da comunicação e da revisão de ideias coletivas. O episódio completo está no YouTube do CNN Pop e foi exibido na CNN Brasil no sábado (12), às 22h45. A temporada ainda terá Camila Frender, Júlia Faria e Fe Paes Leme.








