SÃO PAULO — O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) e outras 15 pessoas são alvos de mandados de prisão na Operação Vectura Corrupta, realizada nesta quinta-feira (17). A ação investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital.
Segundo as investigações, pelo menos 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo de passageiros em São Paulo seriam controladas direta ou indiretamente pela facção. Ao todo, são cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Nove pessoas já haviam sido presas na última atualização.
A operação é realizada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Como funcionaria o esquema
As investigações apontam que empresários e laranjas eram usados como proprietários formais das empresas de ônibus. A gestão ficaria sob responsabilidade de testas de ferro que receberiam ordens de integrantes do PCC ou de familiares deles.
Mensagens e diálogos interceptados mencionam um patrão e mostram investigados prestando contas a Carla de Paula Muller, conhecida como titia e mulher de Antônio José Muller Junior, o Granada. Ele é apontado como integrante da cúpula do PCC e está preso na Penitenciária Federal de Brasília.
O esquema envolveria negociações de frotas, pagamento de comissões e movimentação de valores por contas bancárias de empresas ligadas ao grupo. Milton Leite é citado nas investigações como responsável direto pela operação de empresas controladas pela facção. Policiais militares o apontaram como proprietário de fato da Transwolff.
Advogados investigados também teriam atuado na comunicação entre líderes presos e operadores do esquema. Cícero José dos Santos Filho e Milton Mello Milreu são citados como integrantes dos núcleos chamados Sintonia Restrita e Sintonia dos Gravatas. Escritórios teriam sido usados para reuniões, enquanto contas bancárias receberiam e repassariam recursos de empresas de transporte.
Investigados e prisões
Entre os alvos estão Carla de Paula Muller; Cícero José dos Santos Filho; Danilo Marco Morgado Silva; Edivania Arruda Botelho Alves; Edson Antonio de Souza; Eduardo Medeiros; José Ronaldo Alves de Sales; Julio Salvador Filho; Levi dos Santos Oliveira; Milton Leite da Silva; Milton Mello Milreu; Paulo Sirqueira Korek Farias; Sergio Luiz Gevaerd de Oliveira; André Cassali; Claudionor Aparecido Sabino Tomaz; e José Daniel Satilite.
Nove deles foram presos: Júlio Salvador Filho, Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, Levi dos Santos Oliveira, Carla de Paula Muller, Edivania Arruda Botelho Alves, André Cassali, José Ronaldo Alves de Sales, Edson Antonio de Souza e Danilo Marco Morgado Silva.
A investigação também aponta contatos com agentes políticos e ex-gestores públicos para facilitar procedimentos administrativos e manter contratos. Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, teria mantido encontros periódicos com operadores do esquema. O PCC também é investigado por possível financiamento de campanhas nas eleições municipais de 2024 e em disputas estaduais.
O despacho judicial informa que as descrições dos investigados foram apresentadas como exemplo, sem esgotar as provas. A base inclui mensagens extraídas de dispositivos eletrônicos, documentos e informações financeiras. O relator ressaltou que a análise ocorre em juízo de cognição sumária e não antecipa a responsabilidade penal dos investigados.
Posicionamentos
Milton Leite afirmou: “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas.” Ele disse que provará a inocência.
A Prefeitura de São Paulo declarou que a intervenção na Transwolff, em abril de 2024, e na UPBus foi adotada para proteger o sistema municipal de transporte. A administração afirmou que abriu processo na Controladoria Geral do Município e que colabora com o Ministério Público e a Polícia Civil.
A Câmara Municipal de São Paulo disse acompanhar as investigações. A defesa de Levi dos Santos Oliveira afirmou que foi surpreendida pela prisão e que ainda não teve acesso aos autos.
A A2 Transportes, que representa Paulo Siqueira Korek e Júlio Salvador Filho, negou envolvimento com o PCC e lavagem de dinheiro. A empresa afirmou que seus recursos vêm exclusivamente de contratos e pagamentos da Prefeitura pelos serviços prestados.








