SÃO PAULO — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo dos documentos da investigação sobre o possível uso de emendas parlamentares no financiamento do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada neste domingo (13/09) e inclui o material produzido pela Polícia Civil de São Paulo.
Dino também determinou que o STF concentre o inquérito que tramitava na Polícia Civil paulista. No âmbito da Petição (PET) nº 16.669/DF, o ministro ordenou a divulgação dos autos e dos atos investigativos já documentados. Segundo a decisão, a medida busca garantir transparência e evitar vazamentos seletivos.
Após analisar o material reunido pela polícia, Dino apontou indícios de um possível esquema de destinação e desvio de recursos públicos, com foco em emendas parlamentares federais. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo deverá entregar à Polícia Federal os dados brutos extraídos de celulares apreendidos, além dos aparelhos, computadores e documentos recolhidos.
Alvos e linhas de investigação
Entre os investigados estão o deputado federal Mario Frias, produtor executivo de Dark Horse e ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, e Karina Gama, proprietária da produtora Go Up. Os dois foram alvo de uma operação policial na última quinta-feira (10/09), que apura suspeitas de desvio de recursos públicos repassados a organizações da sociedade civil por meio de termos de fomento.
Frias teria transferido R$ 2 milhões a Gama, que preside um instituto responsável por projetos sociais e também é dona da Go Up Entertainment. Os recursos teriam passado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) e pela Academia Nacional de Cultura (ANC), organizações presididas por Ferreira da Gama.
Em vídeo publicado na noite de quinta-feira, Frias classificou a operação como uma “cortina de fumaça” em período eleitoral. Ele afirmou que a emenda investigada foi destinada a um projeto esportivo e de letramento digital para crianças e disse possuir documentos e notas que comprovariam a legalidade da iniciativa. Em maio, negou ter destinado emendas ao filme e chamou essa versão de “absolutamente falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória”.
A decisão que autorizou a operação menciona possíveis crimes envolvendo Frias e um suposto grupo criminoso. No despacho deste domingo, Dino também citou uma possível participação do Primeiro Comando da Capital (PCC), sem detalhar a função da facção, identificar integrantes ou apontar condutas específicas.









