A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (10/09) para investigar o financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado federal Mario Frias e a produtora Karina da Gama estão entre os alvos da operação Make Up.
Segundo a PF, a investigação apura um suposto desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Os valores teriam sido repassados, por meio de termos de fomento, a organizações da sociedade civil e posteriormente direcionados a empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação dos serviços prestados.
Frias é acusado de ter destinado R$ 2 milhões a Karina da Gama. Ela preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), além de ser dona da Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse.
Em maio, Frias negou ter enviado emendas para financiar o filme. Ele classificou a acusação como “absolutamente falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória”.
Decisão do Supremo
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Na decisão, Dino afirmou haver risco concreto de ocultação ou destruição de provas relevantes para a investigação. O ministro determinou a apreensão de celulares, dispositivos eletrônicos, documentos e outros materiais ligados ao caso.
Também foram impostas medidas cautelares aos investigados, como a proibição de deixar o país, a obrigação de entregar os passaportes e a restrição de contato entre eles. Dino afirmou que documentos digitais, mensagens, arquivos em nuvem, registros de edição e dados contábeis poderiam ser ocultados, alterados ou destruídos sem uma ação imediata.
A decisão cita uma estrutura financeira e operacional que teria movimentado recursos entre entidades, empresas e pessoas físicas ligadas ao grupo investigado. O documento também menciona a Go Up Entertainment LLC, sediada no exterior, e auditorias da Controladoria-Geral da União que teriam identificado problemas na escolha das organizações e na execução dos projetos.
A PF investiga suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Levantamentos financeiros apontaram movimentações da ordem de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao esquema.
Alvos e relação com outro processo
Além de Mario Frias e Karina da Gama, a operação investiga outras 27 pessoas. Entre os alvos estão Raphael Augusto Azevedo, ex-chefe de gabinete do deputado, e os assessores André Velloso Belleza Cortes e Luiz Claudio Faria Velloso, que trabalham no gabinete parlamentar na Câmara dos Deputados.
Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, além do Distrito Federal. As medidas cautelares atingem os 29 investigados.
A investigação da Operação Make Up trata do financiamento de Dark Horse, mas não inclui os repasses feitos por Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme. O processo sobre os US$ 12,3 milhões destinados à produção, a pedido do senador Flávio Bolsonaro, tramita separadamente no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça.









