SÃO PAULO — O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou nesta quarta-feira (16) que considera política a atuação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em casos relacionados à administração municipal. Ele disse que não se sente intimidado e declarou que a Prefeitura vai entregar as informações solicitadas pelo ministro.
A manifestação ocorreu após Dino pedir esclarecimentos à Prefeitura e à SP Regula sobre a concessão dos serviços funerários e cemiteriais da capital paulista. Nunes questionou a competência do Supremo para tratar do caso e considerou estranho que temas da administração municipal sejam levados à Corte durante o período eleitoral.
“Não existe outra justificativa que não seja política”, afirmou o prefeito. Ele reconheceu que críticas ao STF podem gerar consequências para agentes políticos, mas disse não ver outra explicação para a atuação de Dino.
Pontos citados por Dino
Na solicitação, o ministro mencionou um encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em março de 2025. Também citou a atuação posterior de Mendonça em um processo no STF sobre os serviços funerários de São Paulo, além da presença de Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, na SP Regula.
Dino ainda apontou contratos da Prefeitura com o Instituto Iter, fundado por André Mendonça. O ministro afirmou que os fatos, isoladamente, não comprovam interferência externa na atuação de Mendonça, mas avaliou que as possíveis conexões precisam ser esclarecidas.
Nunes negou que Alexandre Mendonça tenha sido promovido na SP Regula. Segundo o prefeito, houve mudança de função, sem aumento salarial. Ele disse que o irmão do ministro entrou na agência por causa do currículo, da capacidade e do processo seletivo.
O prefeito também relacionou a atuação recente do STF ao seu posicionamento eleitoral. Nunes apoia Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência e Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o governo paulista. Ele afirmou que não há irregularidades e que a Prefeitura fornecerá todos os documentos pedidos.
Nunes citou ainda a atuação de Dino em investigação sobre possíveis irregularidades no programa WiFi Livre SP e na produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O prefeito voltou a questionar por que o caso foi levado ao Supremo e disse que não foram apresentadas evidências de que as decisões do ministro tenham sido motivadas por seu posicionamento político.








