GOIÂNIA — A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) negou qualquer participação na produção ou divulgação de informações falsas e rejeitou vínculos com partidos ou candidaturas após ser acusada por Flávio Bolsonaro (PL) de colaborar com o PT.
A declaração ocorreu depois de o candidato afirmar, durante um evento de campanha, que pessoas ligadas à entidade teriam ajudado a espalhar uma notícia falsa sobre a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
Em nota, a CNBB afirmou que suas manifestações eleitorais são baseadas em sua missão pastoral e em princípios relacionados à dignidade humana, ao bem comum, à democracia e à liberdade de consciência. A instituição também disse que acusações sem fatos e provas atingem a entidade de forma injusta.
Manifestação de Jorge Messias
Na noite deste domingo (27/9), o advogado-geral da União, Jorge Messias, publicou uma mensagem de solidariedade à CNBB nas redes sociais. Evangélico, ele defendeu a convivência respeitosa entre diferentes crenças como base do Estado laico e destacou a atuação da conferência na construção de uma sociedade democrática.
“Expresso minha total solidariedade à CNBB, diante dos ataques e agressões que injustamente vem sofrendo por parte do candidato Flávio Bolsonaro”, escreveu Messias.
O advogado-geral também criticou o uso da mentira para fins políticos e eleitorais e mencionou sua fé em Jesus Cristo.
Origem da informação falsa
Na semana passada, circularam publicações que atribuíam a Flávio Bolsonaro um plano para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O boato surgiu após um comentário exibido em um programa de uma emissora de TV sobre a disputa eleitoral, o voto feminino e o comportamento do eleitorado religioso.
A fala mencionava uma possível articulação de setores evangélicos para alterar o título, mas não atribuía o suposto projeto ao candidato do PL. Depois da transmissão, um trecho passou a circular nas redes sociais com essa interpretação.
O canal responsável publicou uma correção e pediu desculpas na madrugada de sexta-feira (25/9). O conteúdo que viralizou também recuperou um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli (MDB-MT). A proposta tratava do feriado de 12 de outubro e sugeria trocar a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Galli integrou o governo de Jair Bolsonaro como assessor especial da Presidência da República, em 2019.








