SÃO PAULO — A Corregedoria da Polícia Militar concluiu que a soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, teve intenção de matar a ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo.
O relatório identificou indícios de transgressão disciplinar, crime militar, crime comum e possível homicídio doloso qualificado. O documento também afirma que não foram encontrados elementos que comprovem legítima defesa por parte da policial.
A investigação foi encaminhada ao Tribunal de Justiça Militar. Até o momento, não houve pedido de prisão preventiva, e a Justiça Militar do Estado de São Paulo informou que ainda não recebeu o indiciamento. A defesa de Yasmin não havia respondido ao pedido de manifestação.
Os advogados da família de Thawanna afirmaram que não foram encontrados elementos seguros de agressão com potencial letal ou de risco iminente que justificassem o uso de força letal contra a vítima. Além do inquérito policial, há uma investigação civil em andamento pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Yasmin e outro policial envolvido no caso continuam afastados das atividades. Por determinação judicial, a soldado acompanha o caso recolhida em casa e está proibida de portar arma de fogo. Ela também está grávida do primeiro filho.
O que aconteceu
Imagens de uma câmera de segurança registraram a discussão entre Thawanna e policiais militares antes do disparo. Às 2h58, o casal caminhava de mãos dadas pela Rua Edimundo Audran, quando saiu do alcance das câmeras. Uma viatura passou pelo local, e parte da discussão foi registrada em áudio.
Thawanna disse que os policiais haviam batido no casal. Depois, a discussão aumentou, e Luciano Gonçalves dos Santos perguntou: “Vai agredir? Vai agredir?”. Segundos depois, foi ouvido um disparo.
As imagens da câmera corporal do soldado Weden Silva Soares mostram que Thawanna e Luciano caminhavam pela rua em 3 de abril de 2026, quando o retrovisor da viatura encostou no braço dele. Yasmin estava no banco do passageiro e não usava câmera corporal.
Após a discussão, Thawanna foi baleada e caiu no chão. Ela foi levada ao Hospital Tiradentes, mas morreu. A vítima esperou cerca de 30 minutos pelo resgate. O laudo do Instituto Médico Legal apontou hemorragia interna aguda como causa da morte.
Yasmin passou a ser investigada em um inquérito policial militar e em outro conduzido pela Polícia Civil. O Ministério Público de São Paulo também informou que investigaria o caso.








