A expansão dos data centers pode pressionar os sistemas elétricos, aumentar custos locais e gerar resistência das comunidades. A avaliação foi registrada pelo Fórum Econômico Mundial a partir da expectativa de economistas sobre os efeitos do crescimento da inteligência artificial.
O aumento da demanda por eletricidade, porém, não depende apenas da tecnologia. O consumo também avança com o uso maior de ar-condicionado, equipamentos domésticos, serviços digitais e soluções voltadas ao conforto e à produtividade. Para Jean Paul Prates, o consumo de energia por pessoa tende a crescer conforme melhora o padrão de vida, desde que esse movimento seja acompanhado de eficiência, inclusão e responsabilidade ambiental.
Consumo e tarifa são questões diferentes
O crescimento do uso total de energia não determina, por si só, o preço de cada quilowatt-hora. A tarifa inclui custos de geração, transmissão e distribuição, além de encargos, tributos e decisões regulatórias.
Quando um data center exige novas linhas ou subestações, a divisão dos custos precisa ser discutida. Para Prates, não é adequado atribuir automaticamente ao setor toda pressão sobre as tarifas.
Energia renovável e planejamento
O Nordeste tem forte expansão da geração eólica e solar, mas enfrenta períodos de curtailment, quando a produção renovável é limitada por falta de transmissão, flexibilidade ou demanda. Na avaliação do autor, data centers em locais adequados poderiam usar parte dessa energia e apoiar atividades de processamento de dados, inteligência artificial, pesquisa e desenvolvimento regional.
Para isso, os projetos deveriam contratar energia renovável adicional, contribuir com a ampliação da rede utilizada, adotar armazenamento e flexibilidade, reduzir o consumo de água e divulgar indicadores de eficiência passíveis de auditoria. A proposta também inclui formação profissional, parcerias com universidades, desenvolvimento de fornecedores e contrapartidas sociais e ambientais proporcionais aos impactos locais.
As comunidades, afirma Prates, devem participar das decisões, conhecer os custos e receber benefícios concretos. Ele defende planejamento, regulação e distribuição dos resultados para que a nova indústria seja compatível com a vida das pessoas e com os limites ambientais.
Jean Paul Prates é sócio da Altiva Inteligência Estratégica, ex-senador da República e ex-presidente da Petrobras.








