O Plano Nacional de Logística 2050 propõe que os investimentos em transporte sejam avaliados pelo efeito sobre corredores inteiros, e não apenas pelo resultado de cada obra. A estratégia prevê combinar rodovias, ferrovias, hidrovias e portos conforme a eficiência de cada modal em diferentes trechos.
Dados da Infra S.A., empresa pública vinculada ao Ministério do Transporte, mostram que o transporte rodoviário concentra 54% da movimentação de cargas do país. As ferrovias respondem por 27%, e o segmento aquaviário, por 19%.
Hidrovias dentro de uma rede maior
O plano aponta que rios como Amazonas, Madeira, Parnaíba e São Francisco podem integrar sistemas logísticos conectados a terminais, portos, ferrovias e rodovias. No caso das hidrovias, o PNL identifica problemas ligados a calado, dragagem, balizamento e infraestrutura de terminais fluviais.
No Amazonas e no Madeira, a navegação também é usada para o abastecimento e o deslocamento da população. Já o corredor do São Francisco é apresentado como exemplo do potencial de combinar trechos hidroviários, ferrovias, terminais e instalações portuárias.
A proposta considera que uma ferrovia de alta capacidade perde parte de sua utilidade sem bons acessos aos terminais. Da mesma forma, uma hidrovia pode ter a competitividade reduzida quando a carga encontra obstáculos ao chegar ao porto. A ampliação de uma rodovia também pode transferir o congestionamento para outro ponto da cadeia.
Demanda e conservação
Em algumas regiões, as projeções usadas pelo PNL indicam aumento de cerca de 300% na demanda por transporte de cargas como soja e milho nos próximos 15 anos. O plano defende que essa expansão seja enfrentada com obras novas, recuperação de ativos e manutenção dos corredores já existentes.
Pela primeira vez, de acordo com o texto do plano, a recuperação e a manutenção aparecem entre as prioridades do planejamento. A definição dos investimentos deve considerar o impacto de cada projeto sobre todo o corredor logístico, em um cenário de recursos públicos e privados limitados.
O PNL 2050 estabelece uma direção, mas a execução dependerá da elaboração dos planos setoriais, da qualidade dos projetos, do financiamento, da coordenação entre os níveis de governo e da participação do setor privado. A transformação do planejamento em obras, concessões, manutenção e investimentos ainda exige uma agenda de execução.
A integração, segundo a proposta, precisa orientar as decisões sobre onde e como investir. O objetivo é ampliar as alternativas para o transporte da produção e fazer com que os modais sejam usados nos trechos em que oferecem melhores condições de eficiência, segurança e competitividade.
Cynthia Barau é diretora-jurídica do CTC Infra.








