Uma letra difícil de entender não é, por si só, sinal de que a pessoa pensa mais rápido do que consegue escrever. A conclusão não foi confirmada pelo estudo publicado na revista Frontiers in Psychology, que analisou a atividade cerebral durante a escrita manual e a digitação.
A pesquisa começou com 40 estudantes universitários, mas os registros de 36 participantes foram considerados adequados para a análise. Todos eram destros, escolha feita para evitar que diferenças no uso das mãos interferissem nos resultados.
Durante o experimento, os voluntários receberam palavras na tela e precisaram escrevê-las com uma caneta digital ou digitá-las em um teclado. A atividade cerebral foi monitorada por eletroencefalografia (EEG), com 256 sensores.
Diferenças entre escrever e digitar
Os pesquisadores identificaram uma conectividade mais ampla entre regiões do cérebro durante a escrita à mão. As diferenças apareceram principalmente em áreas centrais e parietais, com maior atividade nas frequências theta e alfa, relacionadas a processos de formação de memórias e aprendizagem.
A escrita manual exige que a pessoa processe a informação, planeje os movimentos e coordene a mão para formar cada letra. Também entram nesse processo informações visuais e proprioceptivas, que ajudam o cérebro a perceber a posição e o movimento do corpo.
Na digitação, as palavras são formadas pelo acionamento das teclas. Por isso, o funcionamento cerebral observado nessa atividade é diferente do registrado durante a escrita manual.
O estudo, no entanto, não analisou se a caligrafia era legível ou não. Dessa forma, os resultados não permitem dizer que pessoas com letras difíceis de entender tenham raciocínio mais veloz.
A velocidade ao escrever pode deixar as letras menos precisas, mas a caligrafia também é influenciada pela coordenação motora fina, pelos hábitos e pela maneira como cada pessoa aprendeu a escrever. Assim, uma letra ilegível não deve ser usada como indicador de inteligência ou de velocidade de pensamento.








