Duas jovens guaxinins-pigmeus foram observadas transformando papel descartado em pequenas bolas para brincar em Cozumel, no México. O registro ocorreu durante uma pesquisa sobre os efeitos da atividade turística na espécie, que vive exclusivamente na ilha e está criticamente ameaçada de extinção.
As irmãs retiravam guardanapos, recibos e embalagens de lixeiras de um clube de praia. Em seguida, levavam o material até a água e manipulavam o papel com as patas, pressionando-o contra a areia até formar as bolas.
Possível aprendizagem por observação
Durante 64 horas de observação, os pesquisadores registraram 14 episódios de produção dos objetos. Uma das guaxinins iniciou a atividade enquanto a outra acompanhava os movimentos. Depois, a segunda passou a repetir o comportamento e conseguiu produzir uma bola sozinha.
O estudo, publicado na revista científica Wild, descreve o caso como uma possível demonstração de uso de objetos e aprendizagem social. A observação levantou a hipótese de que a segunda irmã tenha aprendido a prática ao observar a primeira.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que os dados ainda são preliminares. Como o comportamento foi registrado apenas entre duas jovens, não é possível afirmar que a prática seja comum entre os guaxinins-pigmeus ou que tenha sido transmitida a outros indivíduos.
Riscos do contato com o lixo
O guaxinim-pigmeu (Procyon pygmaeus) enfrenta problemas relacionados à perda de habitat e às mudanças provocadas pela presença humana. Áreas turísticas podem oferecer novos materiais para exploração, mas o lixo também pode causar ferimentos ou outros impactos à fauna.
Por isso, o episódio não indica que os resíduos sejam benéficos para os animais. Para os cientistas, o registro ajuda a investigar a capacidade de adaptação, a exploração de objetos e a aprendizagem dos guaxinins-pigmeus.








