A araponga-de-garganta-nua e a seriema-de-pernas-vermelhas estão entre as aves com os cantos mais altos do mundo. As duas espécies brasileiras registraram potência vocal acima de 120 decibéis, volume superior ao de uma motosserra ou de uma britadeira em funcionamento.
O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Massachusetts Amherst, nos Estados Unidos, e teve os resultados publicados na revista Evolution nessa terça-feira (29/9). A pesquisa analisou cantos de 123 espécies, sendo 113 delas sem registros anteriores desse tipo.
O que os pesquisadores investigaram
O objetivo não era apenas identificar as aves mais barulhentas. Os cientistas buscaram entender se características físicas dos animais ajudam a prever a intensidade do canto e como essa força se relaciona ao nicho ecológico e à organização social de cada espécie.
Para fazer as medições, a equipe usou aparelhos portáteis de som de alta resolução. As aves foram analisadas em Massachusetts e em vários locais do Brasil. O trabalho foi liderado por Jeff Podos e João Menezes.
Os dados indicaram uma grande variação no volume dos cantos. Também apontaram uma possível relação entre o tamanho do animal e a intensidade vocal: em geral, as aves mais barulhentas eram maiores e tinham músculos volumosos, capazes de comprimir o ar e produzir um som mais explosivo.
Ainda não foi possível determinar a função ecológica e evolutiva da amplitude vocal entre as aves. Os pesquisadores têm hipóteses sobre o tema, mas pretendem ampliar a investigação para obter respostas mais concretas.
“Esta é uma pesquisa básica e fundamental que ninguém mais conseguiu realizar nessa escala”, afirmou Jeff Podos em comunicado.








