O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve não participar do debate da TV Globo marcado para quinta-feira (1º/10), o último antes do primeiro turno das eleições presidenciais. Até terça-feira (29/9), Lula ainda não havia informado à emissora se compareceria. Se faltar, ele terminará a primeira fase da disputa sem enfrentar diretamente os demais candidatos.
A cúpula da campanha avalia que o presidente poderia ficar exposto a ataques dos outros participantes, todos ligados à direita. A decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de participar do debate reforçou essa avaliação. O senador vinha evitando confrontos em que Lula também não estivesse presente, mas deverá comparecer mesmo com a ausência do presidente.
Aliados de Flávio ligados à ala mais ideológica consideram que, sem Lula, ele poderá se tornar o principal alvo dos adversários. Para esse grupo, a participação pode deixá-lo mais vulnerável a ataques nos últimos dias do primeiro turno.
Lula tenta evitar desgastes na reta final e teve melhora nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento da Quaest divulgado na segunda-feira (28/9) mostrou o presidente com 39% das intenções de voto, após oscilação positiva de dois pontos. O candidato do PL apareceu com 34%, com variação positiva de um ponto. Entre católicos, Lula passou de 43% para 48%; entre evangélicos, foi de 23% para 27%.
Na pesquisa BTG/Nexus, Lula também oscilou dois pontos para cima e marcou 42%, enquanto Flávio manteve 37%. O resultado tirou a disputa do empate técnico, segundo o cenário apresentado.
A campanha tem usado sabatinas, entrevistas e podcasts como alternativa à participação em debates. Lula já esteve nos podcasts Meteoro Brasil, Inteligência LTDA, Não Inviabilize, As Cunhãs e Desce a Letra. Com a possível ausência na TV Globo, os aliados negociam uma entrevista do presidente a um podcast de grande audiência no mesmo horário do confronto, previsto para começar às 21h20.
A melhora nas pesquisas ocorreu após a repercussão de uma polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Circulou nas redes sociais a alegação de que Flávio teria ligação com uma proposta para retirar da santa o título de padroeira do Brasil. O candidato nega que o projeto exista e acusa o PT de espalhar informações falsas.
Durante comício em Salvador (BA), na terça-feira (29/9), Lula afirmou que defende a padroeira e que o posto será mantido enquanto estiver na Presidência. Também declarou: “Nesse país, as pessoas vão aprender a respeitar as religiões dos outros.”
Agenda de campanha
Lula deve intensificar os atos na região Sudeste. Nesta quarta-feira (30/9), estará em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, ao lado de Patrus Ananias (PT), Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSol), além de apoiadores e lideranças políticas de Minas Gerais.
Na sexta-feira (2/10), estão previstas caminhadas em Belo Horizonte (MG) e no Rio de Janeiro (RJ). No sábado (3/10), Lula participará do ato final em São Paulo (SP). Nesses eventos, não serão permitidos comícios nem o uso de aparelhagem de sonorização fixa.
A campanha também negocia onde Lula acompanhará a apuração. O presidente indicou que pretende ficar na capital paulista e vota em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.








