O pastor J. B. Carvalho, líder da Comunidade das Nações e próximo da família Bolsonaro, defende o fim do reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Ele também afirma que o feriado nacional de 12 de outubro é ilegal.
As posições aparecem no livro “A Bomba”, publicado em 2001. Na obra, Carvalho questiona a legislação que reconhece a santa e sustenta que não haveria base constitucional para impor uma padroeira a todo o país. O pastor também afirma que a separação entre Estado e religião, prevista em diferentes Constituições, tornaria inválido o feriado.
Carvalho escreveu que “a lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal”. Em outro trecho, defende que seria hora de “destronarmos a Rainha em nossa nação e servir ao Deus verdadeiro”.
O livro apresenta críticas às práticas católicas e à devoção a Maria. O pastor contrapõe o marianismo à centralidade de Jesus Cristo e relaciona a veneração mariana a tradições religiosas antigas. Também usa a quantidade de repetições das orações do terço como argumento para afirmar que Maria ocuparia posição central no culto católico.
Relação com a família Bolsonaro
A proximidade de Carvalho com Flávio Bolsonaro vai além da aliança política. O senador se converteu à denominação em 2022 e foi batizado pela igreja em 2024, ao lado da esposa, Fernanda.
O vínculo também alcançou Jair Bolsonaro. Em novembro de 2025, enquanto o ex-presidente estava preso na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Flávio deu a ele o livro “Metanoia – A Chave Está Em Sua Mente”, escrito por Carvalho e publicado pela Editora Chara em 2018. O pastor ainda participou de uma transmissão ao vivo com a família antes do aniversário de 70 anos de Jair Bolsonaro e declarou solidariedade ao ex-presidente.
O que diz a legislação
A legislação federal mantém o feriado de 12 de outubro. A data foi oficializada pela Lei nº 6.802, sancionada em 30 de junho de 1980 pelo então presidente João Figueiredo.
A lei teve origem no Projeto de Lei nº 220/1979, de autoria do deputado Jorge Arbage, e permanece em vigor sem revogação na Câmara dos Deputados.








