EMBU DAS ARTES — A perícia identificou ao menos 17 lesões no corpo de Larissa Cruz Morata, técnica em radiologia encontrada morta com um tiro na cabeça. O laudo do Instituto Médico Legal apontou traumatismo cranioencefálico e indicou que o disparo ocorreu de trás para frente e da esquerda para a direita, com saída pelo lado direito da têmpora.
Larissa foi localizada no domingo (6/9), na casa onde vivia com o marido, o soldado da Polícia Militar Vinicius Costa Silva, de 26 anos. O caso foi registrado inicialmente como morte suspeita e também passou a ser investigado sob a hipótese de feminicídio.
Vestígios analisados
O corpo apresentava roxos nas mãos e nas pernas, além de escoriações na região cervical e no joelho esquerdo. Peritos também encontraram fios de cabelo presos à calça da vítima, sem manchas de sangue, e coletaram material das extremidades das unhas para uma possível análise subungueal.
Na casa, imagens da suíte mostraram o box de vidro estilhaçado e marcas de sangue no chão. A investigação utilizou luminol no banheiro e um scanner 3D para reconstruir o ambiente e examinar a dinâmica da morte.
Um dos pontos analisados é o ferimento próximo ao ouvido esquerdo. Familiares afirmam que Larissa não era canhota. A delegada Bruna Crippa disse que os investigadores encontraram elementos periciais divergentes da primeira versão apresentada pelo policial.
Versões sob análise
Vinicius estava na residência quando a polícia foi acionada, por volta das 11h, e afirmou aos agentes que a esposa havia cometido suicídio. Em depoimento, relatou que os dois conversaram sobre o fim do relacionamento horas antes e que ele foi dormir. Depois, teria acordado com um barulho que imaginou ser de “vidro quebrando”.
A defesa sustenta a hipótese de suicídio e afirma que entregará mensagens que indicariam pensamentos suicidas de Larissa diante de um eventual rompimento. A família contesta essa versão. Maria Aparecida Morata, avó da jovem, disse que ela tinha planos para o futuro e negou que estivesse passando por uma separação.
O soldado foi preso no dia seguinte, durante o velório, após a Polícia Civil identificar inconsistências no depoimento. Ele foi levado à delegacia e transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.
A Polícia Civil continua confrontando os relatos com os resultados das perícias e outros elementos do inquérito. A investigação busca esclarecer a trajetória do disparo, as lesões, as condições do banheiro e os depoimentos de pessoas que estavam na residência.








