Adolescentes e jovens adultos têm recorrido a rotinas complexas de skincare e a procedimentos estéticos antes do surgimento das primeiras linhas de expressão. Dermatologistas afirmam que cuidar da pele desde cedo é importante, mas isso não significa antecipar tratamentos voltados exclusivamente à prevenção de rugas.
A fotoproteção deve fazer parte da rotina desde a infância e a adolescência. A exposição acumulada à radiação ultravioleta está relacionada ao envelhecimento cutâneo e ao desenvolvimento do câncer de pele. Evitar queimaduras solares e manter hábitos adequados ao longo da vida são medidas consideradas mais relevantes do que o uso precoce de produtos antienvelhecimento.
Rotina simples e adequada
Para a maioria das pessoas, uma rotina básica com limpeza suave, hidratante adequado ao tipo de pele e protetor solar diário é suficiente. A combinação de muitos produtos e ativos sem orientação pode aumentar o risco de irritação. Acne, dermatite e outras condições dermatológicas devem ser tratadas de acordo com suas necessidades específicas.
“Não vejo benefício em uma adolescente usar uma rotina com vários ácidos, peptídeos, retinoides e produtos firmadores simplesmente para prevenir rugas”, afirma Silvia Quaggio, dermatologista.
O colágeno tem papel importante na estrutura, na firmeza e na elasticidade da pele. Sua produção diminui progressivamente com o envelhecimento, mas pessoas muito jovens não precisam necessariamente usar produtos para estimular ou repor essa proteína. De acordo com Patrícia Ang, dermatologista e cirurgiã dermatológica, retinoides podem ser indicados a partir dos 25 anos ou 30 anos, conforme a condição da pele e o objetivo do tratamento.
A especialista ressalta que fotoproteção, hidratação e higiene adequada devem continuar no centro dos cuidados. Cosméticos podem melhorar a hidratação e a aparência da pele, mas não têm necessariamente a mesma função de medicamentos prescritos para indicações específicas.
Toxina botulínica exige avaliação individual
Não há uma idade universal para começar a aplicar toxina botulínica. O procedimento reduz temporariamente a atividade de determinados músculos e pode suavizar linhas de expressão, mas não interrompe o envelhecimento e depende de reaplicações.
A indicação deve considerar a presença e a intensidade das linhas, o padrão de movimentação muscular, a anatomia, as expectativas, os riscos e os possíveis efeitos adversos. Para Silvia Quaggio, a ideia de que toda pessoa jovem deve fazer aplicações para evitar rugas não é sustentada por evidências clínicas robustas.
Preenchimentos, lasers e toxina botulínica podem ter benefícios e efeitos adversos. Por isso, a decisão deve partir de uma necessidade individual, e não da pressão para iniciar um procedimento em determinada idade.
A prevenção também inclui não fumar, manter uma alimentação equilibrada, dormir adequadamente e tratar doenças de pele. Para Patrícia Ang, profissionais de saúde devem reconhecer as queixas dos pacientes, mas também reforçar que o envelhecimento é natural e avaliar procedimentos apenas quando houver uma necessidade real ou algo que cause incômodo à autoestima.








