TAUBATÉ — A Prefeitura de Taubaté suspendeu as bolsas dos nove bailarinos do Balé da Cidade entre setembro e dezembro de 2026. O comunicado atribui a decisão às medidas de contenção de despesas e à disponibilidade orçamentária e financeira da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.
A suspensão deve interromper os espetáculos do projeto, que completou duas décadas em maio. O documento foi assinado pelo secretário interino da pasta, Mario Carneiro, e informa que a interrupção ocorrerá nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2026.
Bailarinos relatam impacto financeiro
A bailarina e jornalista Victória Rangel, de 29 anos, disse que a decisão representa “um descaso com a nossa profissão de artistas”. Ela está há dois anos no Balé da Cidade. Cada bolsista recebe R$ 1.500,00 por mês.
Victória também classificou a medida como desorganização da prefeitura. Segundo ela, os integrantes da companhia contavam com o benefício para pagar despesas pessoais e não sabem como vão se manter nos próximos meses. A bailarina afirmou que alguns profissionais vieram de fora e já precisaram voltar por não conseguirem se sustentar em Taubaté.
O prefeito é o ex-deputado estadual Sérgio Victor (Novo). A Secretaria de Cultura é comandada pela atriz e dançarina Aline Damásio, que está temporariamente afastada por licença-maternidade.
Projeto é patrimônio cultural
Criado em maio de 2006, o Balé da Cidade foi incluído na Lei Orgânica de Taubaté em 2014 e classificado como patrimônio cultural do município. Em 2015, uma lei municipal criou a Bolsa Balé da Cidade, destinada ao aprimoramento profissional e às apresentações dos integrantes. O valor previsto na legislação não é atualizado desde a criação do benefício.
Rafael Soares, servidor municipal que integra a equipe da companhia, afirmou que o projeto é o único corpo artístico profissional voltado à criação de campo de trabalho para a dança profissional na cidade. Ele também questionou se haverá continuidade do balé no ano que vem.
No ano passado, as bolsas e os espetáculos do teatro do Sítio do Pica-Pau Amarelo foram interrompidos por três meses pela falta de orçamento. Na ocasião, servidores municipais substituíram os bolsistas para cumprir a agenda do projeto.








