SÃO PAULO — Jean Araujo transformou o negócio iniciado com a avó em uma marca de alfaiataria masculina voltada a jogadores de futebol, empresários, médicos, advogados e executivos. A Jean Araujo Alfaiataria fatura, em média, R$ 250 mil por mês, e os ternos sob medida custam entre R$ 12,8 mil e R$ 45,9 mil.
A empresa foi lançada em junho de 2022. No primeiro ano, o faturamento anualizado foi de R$ 480 mil. Hoje, o valor chega ao equivalente a R$ 3 milhões anualizados. A projeção é alcançar receita próxima de R$ 4 milhões em 2026 e R$ 8 milhões em 2027.
Da locação de vestidos à alfaiataria masculina
A entrada de Jean no setor ocorreu em 2015, aos 17 anos, quando ele começou a trabalhar no caixa do ateliê de vestidos de noiva da avó. Com ajuda do pai, abriu uma loja de locação de vestidos de festa em frente ao estabelecimento, em uma rua de Campinas conhecida pelo comércio para casamentos e eventos.
A loja começou com 11 vestidos próprios e peças emprestadas por familiares. Em 2017, Jean iniciou Engenharia Civil, mas deixou o curso após seis meses. No ano seguinte, foi para os Estados Unidos estudar e jogar futebol com uma bolsa universitária. Trabalhou em limpeza, construção civil e serviços de restaurante antes de voltar ao Brasil em 2018.
De volta ao negócio, comprou uma segunda loja, maior, e incluiu ternos na operação. Sem dinheiro para contratar profissionais, aprendeu a fazer ajustes nos vestidos observando a avó, assistindo a vídeos na internet e praticando nos períodos sem clientes. “Eu aprendi a costurar em 2015, basicamente com a minha avó e sozinho”, afirma.
A entrada definitiva na alfaiataria masculina ocorreu em 2020. Durante a pandemia, a queda nos eventos reduziu a procura pela locação de vestidos. Jean percebeu que muitos clientes chegavam acompanhados dos maridos, que também buscavam roupas para festas. Ao transferir a operação para Paulínia, onde morava, passou a vender e alugar mais ternos do que vestidos.
Reposicionamento e atendimento por indicação
A marca de alfaiataria foi criada em junho de 2022, mas a separação entre a locação e a venda de peças sob medida ocorreu em 2023. A partir de 2024, a empresa passou a atuar apenas com a venda de alfaiataria.
No começo de 2025, os modelos sob medida custavam a partir de R$ 3 mil. Após o reposicionamento, os preços subiram para a faixa atual, de R$ 12,8 mil a R$ 45,9 mil. Os clientes escolhem tecidos, cores, estampas e modelagem. A empresa usa materiais italianos de marcas como Loro Piana e Zegna.
O atendimento a jogadores de futebol começou em 2023, com João Caetano, então atleta do Corinthians, indicado por um conhecido. Depois, novos clientes chegaram por indicação dentro do clube. Atualmente, a marca atende Maurício, do Palmeiras e da seleção paraguaia, além de outros jogadores e profissionais ligados ao futebol.
“Hoje meu trabalho é 100% por indicação. Eu não faço anúncio”, diz Jean.
A empresa mantém uma operação em Paulínia, com peças prontas como camisetas, polos, tênis e calças de alfaiataria. A unidade de Alphaville, inaugurada recentemente, concentra o atendimento personalizado e a produção sob medida. Também são realizados atendimentos fora dos ateliês, inclusive em outras cidades do Brasil.
Jean tem uma equipe de cinco pessoas e passou a se dedicar principalmente às vendas, ao relacionamento com clientes e à coordenação da operação. O próximo plano é ampliar a presença física com novas lojas de pronta entrega, mantendo os atendimentos personalizados para a alfaiataria mais exclusiva.








