O Bitcoin teve 99% do código alterado desde 2008, de acordo com a Vinteum, organização que apoia desenvolvedores da criptomoeda na América Latina. Mesmo com as mudanças, Bruno Garcia, head de engenharia da entidade, considera que o ativo continua sendo filosoficamente o mesmo, porque as ideias centrais da criação de Satoshi Nakamoto foram preservadas.
As alterações no Bitcoin Core, software aberto usado para validar o blockchain, ocorrem principalmente por dois motivos: corrigir vulnerabilidades e melhorar o desempenho, ou modificar o protocolo. Qualquer mudança pode criar riscos de segurança e, por isso, passa por revisão, testes e análise.
Mudanças dependem da rede
As propostas são revisadas no GitHub e precisam da aprovação de contribuidores frequentes. Depois, os participantes da rede devem adotar a alteração para que ela entre em vigor por consenso. Um desenvolvedor pode escrever uma mudança, mas não consegue obrigar a rede a aceitá-la.
Um exemplo foi a atualização Segwit, ativada em 2017. Ela separou a assinatura que comprova a validade de uma transação da parte que descreve seu efeito econômico. Com isso, informações ligadas à assinatura não poderiam ser alteradas sem invalidar a operação. A atualização também ampliou o espaço útil por bloco sem mudar o limite de 1 mb.
No mesmo ano, uma proposta para aumentar o limite de memória dos blocos não obteve consenso. A divisão resultante criou uma cadeia separada, com novas regras, que deu origem ao Bitcoin Cash.
Próximo desafio
Uma das discussões atuais é preparar o Bitcoin para um possível ataque de computador quântico. A tecnologia ainda não existe, mas seu desenvolvimento ameaça a criptografia de curvas elípticas usada no blockchain.
Pesquisadores trabalham em protocolos resistentes a esse tipo de ataque. Segundo Garcia, a solução exigiria novas regras implementadas no código, o que representaria outra grande mudança para a criptomoeda.
Para o engenheiro, porém, essas alterações não descaracterizam o Bitcoin. “Mudanças no protocolo e no código fazem parte para evoluir e melhorar”, afirmou.






