SÃO PAULO — O Cine Rosário, fechado desde 1955, deve voltar a funcionar no Edifício Martinelli como uma sala dedicada a cinema, teatro e outras apresentações. O Grupo Tokyo, responsável pela concessão de áreas do prédio, estima investir R$ 25 milhões na recuperação do espaço.
A intervenção faz parte da restauração e readequação do Martinelli, avaliada em cerca de R$ 100 milhões. Desse total, R$ 20 milhões já foram aplicados, segundo Fábio Floriano, CEO e sócio-fundador do Grupo Tokyo.
Uma nova sala de espetáculos
A proposta não é reproduzir o modelo dos multiplexes instalados em shopping centers. O novo Rosário deverá ter curadoria própria, com programação de filmes, peças e outras atividades culturais. A capacidade final ainda não foi divulgada, e os aproximadamente 1.000 lugares da sala original não indicam necessariamente o tamanho do novo espaço.
O cinema foi inaugurado em setembro de 1929, no complexo que começou a ser construído em 1924 por iniciativa do empresário italiano Giuseppe Martinelli. A primeira sessão foi uma noite de gala, com autoridades, empresários e integrantes da elite paulistana. O filme exibido foi O Pagão, produção da MGM estrelada por Ramón Novarro, com acompanhamento de orquestra e presença do então prefeito José Pires do Rio.
Na época, o Rosário tinha aproximadamente 1.000 lugares e era considerado um dos cinemas mais luxuosos da cidade. A sala funcionou por menos de três décadas e encerrou as atividades em 1955.
O espaço atual já não mantém a configuração original de cinema. Durante as prospecções, porém, foram localizados afrescos e outros elementos decorativos escondidos sob placas de gesso instaladas posteriormente. O Grupo Tokyo pretende recuperar o que estiver preservado e integrar parte desse material ao projeto.
A nova estrutura também terá de atender às exigências atuais de acústica, acessibilidade, segurança e tecnologia. A intenção é combinar essas adaptações com a preservação dos vestígios históricos encontrados no local.
Obras e operação do Martinelli
A data de reabertura ainda não foi definida. O grupo aguarda aprovações dos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio e, depois dessa etapa, prevê concluir o conjunto de intervenções em até 18 meses. O cronograma inclui a instalação de dois novos elevadores no edifício.
O Grupo Tokyo venceu a concessão das áreas turísticas do Martinelli em 2023 e recebeu a posse do espaço em novembro daquele ano. A maior parte do prédio continua ocupada pelo poder público e abriga estruturas da administração municipal.
Além do cinema, o projeto prevê novos usos culturais e de entretenimento no edifício, como galerias, áreas para cursos e encontros, mirantes, espaços para festas, um restaurante com capacidade para cerca de 240 pessoas, café, loja voltada a arte e design, estúdio de produção de conteúdo e uma instalação imersiva sobre a história do Martinelli e do centro de São Paulo.
A expectativa do Grupo Tokyo é receber cerca de 1 milhão de visitantes por ano quando todas as áreas estiverem em operação. Atualmente, aproximadamente 20% do espaço total é usado em visitas guiadas, eventos e atividades no mirante.
A operação durante as obras começou após o projeto temporário M100, criado em 2024, ano em que o início da construção do edifício completou 100 anos. A programação reuniu exposições, ações de design, lançamentos musicais, eventos e visitas guiadas.
O investimento total do Martinelli será financiado com recursos próprios e patrocínios. A empresa projeta encerrar 2026 com faturamento entre R$ 40 milhões e R$ 45 milhões. A expansão para imóveis históricos e tombados faz parte da estratégia chamada Epicentro, que já tem quatro endereços contratados e em implantação, incluindo projetos nos edifícios Itália e Renata.








