O mercado financeiro espera forte alta da Bolsa, valorização do real e queda dos juros futuros nesta segunda-feira, 5, depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Com 99,47% das urnas apuradas, Flávio tinha 47,13% dos votos válidos, contra 45,04% de Lula. As pesquisas divulgadas na véspera indicavam empate técnico, com Lula numericamente à frente em alguns levantamentos.
A reação inicial ocorreu em Nova York. O EWZ, fundo de índice formado por ações brasileiras, chegou a subir 10,29% no pregão overnight de domingo.
Na sexta-feira, o Ibovespa avançou 2,63% e encerrou o dia aos 192.114 pontos, maior nível de fechamento desde abril. Na semana, o índice acumulou alta de 4,71%. Em setembro, a valorização foi superior a 5%.
Bolsa e câmbio
Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office, estima que a Bolsa possa subir entre 4% e 5% nesta segunda-feira, ou até mais. Uma alta de 4,1% levaria o Ibovespa aos 200 mil pontos.
Para Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, os candidatos da chamada terceira via somaram cerca de 7% dos votos, e de 60% a 70% desse eleitorado pode migrar para Flávio. Ele avalia que a probabilidade de vitória do candidato no segundo turno está acima de 75%, talvez 80%.
Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, também passou a considerar Flávio favorito. Ele vê espaço para novas altas, inclusive em ações que ainda estariam abaixo do preço justo, como a Vale. Os ADRs da empresa subiram mais de 7% após o primeiro turno.
Menezes projeta fortalecimento do real entre 3,5% e 4% nesta segunda-feira. O dólar fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,216. Entre os papéis com maior potencial no curto prazo, ele cita as estatais. Depois, vê possibilidade de recuperação para as construtoras, caso a queda dos juros estimule a venda de imóveis financiados.
Juros e Congresso
Os três analistas esperam redução dos juros futuros, principalmente nos vencimentos mais longos. Para Menezes, investidores de longo prazo podem encontrar oportunidade em taxas de juro real entre 7,3% e 7,5% ao ano. Mota avalia que juros menores também podem favorecer o crédito privado.
Parte do otimismo está relacionada à composição do novo Congresso. Arantes e Menezes avaliam que a direita terá bancadas mais fortes no Senado e na Câmara, o que poderia facilitar a aprovação de reformas por um eventual governo Flávio.
Menezes afirma ainda que o mercado deve observar principalmente a equipe econômica e as pessoas escolhidas para os ministérios. Para ele, governos costumam concentrar ajustes nos dois primeiros anos de mandato, período em que têm mais popularidade e apoio no Congresso.








