O custo do reajuste do Bolsa Família e a decisão do Banco Central do Japão pressionam o mercado financeiro nesta sexta-feira, 18. Por volta das 12h, o Ibovespa recuava 0,69%, aos 184.713,14 pontos, enquanto o dólar avançava 0,59%, cotado a 5,16 reais.
A autoridade monetária japonesa elevou a taxa básica para 1,25% ao ano, o maior nível em 31 anos. Para Felipe Sant’ana, especialista da Axia Investing, a medida fortalece a possibilidade de um ciclo global de aperto monetário e pode estimular a saída de recursos de países emergentes, como o Brasil.
Sant’ana também relaciona o movimento à alta de juros adotada pelo Banco Central americano na última quarta-feira. Na avaliação dele, a combinação encarece as moedas desenvolvidas enquanto o Brasil passa por um ciclo de corte de juros.
Pressão fiscal
No ambiente doméstico, Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, afirma que o reajuste do Bolsa Família mantém o risco fiscal entre as preocupações dos investidores. O custo estimado da medida, segundo ele, passa de 5,8 bilhões de reais em 2026 para cerca de 22 bilhões de reais em 2027. O valor representa quase quatro vezes o impacto previsto para este ano.
Murad também avalia que a nova pesquisa eleitoral aumenta a volatilidade, mas ressalta que o recorte por faixa etária e a margem de erro mais ampla dificultam conclusões definitivas.
Para os próximos pregões, o analista aponta que o desempenho do Ibovespa deverá ser influenciado pela trajetória fiscal, pelo comportamento da curva de juros e pelo desempenho das commodities. Ele afirma que, sem uma explicação convincente para compensar os novos gastos, a Bolsa pode continuar oscilando perto dos níveis atuais, com maior pressão sobre empresas domésticas e endividadas.








