A Flórida se consolidou como um dos principais destinos de empresários brasileiros interessados em levar seus negócios aos Estados Unidos. Franquias, serviços, varejo e mercado imobiliário estão entre os setores que buscam operar no maior mercado consumidor do mundo.
O movimento foi discutido no BeLinked Experience 2026, realizado em Orlando, na Flórida. Durante dois dias, executivos, investidores e empreendedores trataram de imigração, legislação, crédito, vendas, tecnologia, inteligência artificial, imóveis e franquias.
Para Eduardo Morita, consultor brasileiro que trabalha há três décadas com franquias e internacionalização, a expansão exige mais do que traduzir uma marca e abrir uma unidade. É necessário avaliar a estrutura jurídica, os impostos, os vistos, as regras para contratação e as diferenças no comportamento do consumidor.
“Isso significa que uma operação bem-sucedida no Brasil não necessariamente pode ser replicada nos Estados Unidos sem ajustes”, diz Morita.
Experiência com marcas brasileiras
Nascido em São Paulo e formado em engenharia de produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Morita passou por empresas como Pirelli antes de entrar no setor de franquias, na década de 1990. Ele afirma ter participado da internacionalização de 11 empresas brasileiras.
Entre as marcas estão a Milk Moo, o Boteco do Manolo e a Home Pro. Segundo o consultor, a Flórida concentra parte relevante do interesse dos empresários brasileiros. “A Flórida virou a Disney dos empresários”, resume.
A Milk Moo abriu a primeira loja no estado no ano passado e já tem 4 operações nos Estados Unidos. A empresa prepara a abertura da quinta loja no país e da primeira unidade em Assunção, no Paraguai. Também negocia a entrada em mercados como Peru e Austrália, segundo Lohran Soares de Oliveira, fundador da Milky Moo. A meta de longo prazo é chegar a 50 países.
O Boteco do Manolo, fundado em 2003 por Marcelo Riveiro Barcia, reúne 19 unidades: 12 próprias no Rio de Janeiro e 7 nos Estados Unidos, sendo três próprias e quatro franqueadas. A empresa faturou R$ 85 milhões no último ano no Brasil e US$ 24 milhões nos Estados Unidos. Para 2026, estima crescimento de 20% no Brasil e de até 18% nos Estados Unidos.
Custos e estrutura
Empresas sem histórico de crédito local podem encontrar condições diferentes das oferecidas a negócios já estabelecidos no país. Impostos, seguros, aluguel, mão de obra e custos regulatórios também podem alterar a rentabilidade planejada.
Morita recomenda elaborar um plano financeiro específico para os Estados Unidos, considerando custos, margens e capital de giro locais. O consultor também destaca a necessidade de definir previamente o tipo societário, a tributação, o visto, a contratação de funcionários e a forma de distribuição de lucros.
“Faturar mais em dólar não significa necessariamente ter uma operação mais rentável”, afirma.
O cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, disse que o momento é favorável aos investidores brasileiros e afirmou que o país busca atrair capital estrangeiro.








