O iFood vai investir R$ 24 bilhões no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027. O valor representa alta de 41% em relação aos R$ 17 bilhões aplicados no ciclo anterior e será direcionado à expansão do delivery, de novas categorias, do crédito, dos benefícios e da tecnologia.
A companhia teve receita líquida de R$ 10,1 bilhões no exercício encerrado em março, crescimento de 29%. No período, movimentou R$ 150 bilhões e alcançou EBITDA de R$ 2,2 bilhões.
Diego Barreto, CEO do iFood, disse que a prioridade neste momento é ampliar a operação. “Minha cabeça não está na rentabilidade. Minha cabeça está em crescer”, afirmou.
Novas verticais e crédito
Do total anunciado, R$ 10 bilhões serão destinados às verticais da companhia, que incluem restaurantes, supermercados, farmácias, pet shop, bebidas, conveniência e presentes. A empresa projeta crescimento de 60% em supermercados e 70% em farmácias neste ano.
Nos restaurantes, os investimentos incluem o Hits, área com refeições de menor preço e entrega gratuita, e o Turbo, modalidade com entregas em até 20 minutos que começa a avançar das principais capitais para outras grandes cidades.
Outros R$ 5 bilhões serão aplicados no iFood Pago, principalmente na concessão de crédito. Atualmente, cerca de 10% dos restaurantes da base usam a operação financeira, segundo Barreto.
A companhia também estuda oferecer financiamento para compras de maior valor e situações pontuais de consumo. Em outubro, começará a testar um cartão de crédito para consumidores de maior recorrência, com expectativa de ganhar escala em 2027.
O iFood Benefícios receberá mais R$ 1 bilhão. A operação cresce perto de 100% ao ano, e a meta anunciada pelo CEO é buscar a liderança do mercado nos próximos três anos. Tecnologia e inovação terão mais de R$ 2 bilhões, incluindo inteligência artificial.
Participação fora do delivery
Atualmente, cerca de 30% do resultado do iFood já vem de atividades além da entrega de comida. Barreto afirma que essa fatia pode chegar a 50% em até dois anos. Segundo o CEO, os negócios dessas novas verticais crescem entre 60% e 110%.
A plataforma conecta 65 milhões de consumidores a 500 mil estabelecimentos em 2.800 cidades, registra mais de 180 milhões de pedidos por mês e conta com 600 mil entregadores parceiros.
O novo ciclo de investimentos ocorre em meio à disputa por consumidores e restaurantes, com maior uso de cupons, descontos e outros incentivos. Barreto considera essa estratégia passageira e afirmou que alguns concorrentes adotam “preço predatório”, prática que comparou a dumping.
O executivo disse que o iFood precisa reagir para evitar que o mercado seja conquistado apenas pelo volume de recursos usados em incentivos. A expectativa da companhia é sustentar o crescimento enquanto as novas verticais ganham escala.








