SÃO PAULO — Nadeem Bajwa, maior franqueado da Papa John’s, afirma que a fase entre 3 e 5 lojas é a mais difícil para quem tenta transformar uma franquia em uma operação capaz de crescer sem depender do proprietário. Ele chama esse período de “zona do inferno” das franquias.
Bajwa participou do congresso Somos Multi, realizado pela CommUnit em São Paulo. O evento reúne cerca de 1.000 participantes e mais de 40 palestrantes ligados ao setor de franquias.
O empresário começou como entregador de pizzas e abriu sua primeira unidade em 2002. Hoje, comanda centenas de restaurantes da Papa John’s em 12 estados americanos, com faturamento superior a US$ 300 milhões.
O desafio da escala
Segundo Bajwa, administrar de 3 a 5 lojas exige trabalho em tempo integral, mas ainda pode não gerar receita suficiente para contratar profissionais responsáveis pela supervisão da operação. A recomendação é escolher entre manter uma estrutura menor, com participação direta do dono, ou avançar para algo entre 8 e 10 unidades.
“Você não consegue fazer tudo sozinho”, afirma Bajwa. Para ele, uma operação maior permite criar uma camada de gestão e diminuir a dependência do proprietário.
O empresário diz que marketing, treinamento e equipe precisam funcionar em conjunto. Também defende que o modelo de gestão acompanhe as mudanças no mercado de trabalho. A forma de administrar funcionários usada 10 anos atrás, segundo ele, pode não funcionar com a geração atual.
Bajwa afirma que fechou pizzarias durante a expansão. Entre os motivos, cita mudanças demográficas e escolhas de pontos comerciais que pareciam promissores, mas não alcançaram o resultado esperado. Para ele, essas decisões fazem parte do aprendizado do negócio.
Empresas criadas a partir das pizzarias
A expansão levou Bajwa a criar negócios para resolver problemas que se repetiam nas unidades. A empresa de contabilidade começou quando ele tinha 5 restaurantes e hoje atende 1.200 clientes.
Depois da pandemia, o grupo criou um call center para lidar com a escassez de trabalhadores nos Estados Unidos. As operações ficam no Paquistão, na Costa Rica e nas Filipinas, e o empresário avalia uma nova estrutura no Egito.
Entre 10% e 15% dos clientes americanos ainda preferem fazer pedidos por telefone. Quando isso ocorre em uma das lojas, a chamada pode ser atendida fora dos Estados Unidos, reduzindo a carga da equipe local.
O grupo também passou a atuar com tecnologia, serviços digitais e construção. As soluções foram desenvolvidas inicialmente para uso próprio e, depois, oferecidas a outras empresas. A construtora, por exemplo, surgiu para reduzir o custo de abertura das pizzarias e posteriormente passou a participar de outros projetos imobiliários.
Para Bajwa, o crescimento depende de reconhecer quando uma prática que funcionou em uma etapa deixa de servir para a seguinte. “Se você não mudar, vai ficar para trás”, afirma.








