A greve dos funcionários da Caixa continua por tempo indeterminado e pode atrasar diferentes fases dos financiamentos imobiliários. Entre os procedimentos afetados estão a análise de documentos, a assinatura de contratos e a liberação dos recursos ao vendedor.
A paralisação começou no dia 10 de setembro, depois que os empregados rejeitaram a proposta para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho. A Contraf-CUT informou que 102 bases rejeitaram o texto, incluindo São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. Outras 30 aprovaram a proposta. O Saúde Caixa e as mudanças no custeio do plano de saúde estão entre os principais pontos de divergência.
Quem pode ser afetado
A Caixa afirma que continua contratando financiamentos e que parte dos procedimentos pode ser feita digitalmente. Ainda assim, operações em andamento podem perder velocidade, inclusive quando o comprador já entregou os documentos ou teve o crédito aprovado.
Depois dessa aprovação, ainda podem ocorrer a elaboração e a assinatura do contrato, o registro no Cartório de Registro de Imóveis e o repasse do dinheiro ao vendedor. Em alguns casos, documentos e certidões podem precisar ser emitidos novamente se perderem a validade. A demora também pode afetar a entrega das chaves e os prazos do contrato de compra e venda.
Não há suspensão automática dos prazos contratuais por causa da greve. A situação precisa ser analisada conforme as condições da negociação e a responsabilidade pelo atraso. Se o comprador tiver cumprido suas obrigações e a quitação ficar pendente exclusivamente pela falta de liberação do financiamento, pode haver possibilidade de questionamento judicial. Em contratos de crédito de repasse, porém, podem incidir multa, juros e correção monetária quando o imóvel não é quitado no prazo.
O que o comprador deve fazer
A orientação é não esperar o vencimento do prazo. O comprador deve avisar formalmente o vendedor, a incorporadora ou a construtora de que o financiamento foi aprovado ou está em andamento e registrar que a conclusão depende de uma providência da Caixa. Quando houver possibilidade de acordo, a prorrogação do prazo deve ser formalizada.
Também é importante guardar protocolos de entrega de documentos, comprovantes de aprovação do crédito, e-mails, mensagens, registros de atendimento e comunicações com a Caixa. As datas previstas para assinatura e liberação dos recursos devem ser registradas.
A instituição informou que oferece o fluxo Nato Digital, com envio de documentos e assinaturas por certificado, além de canais como WhatsApp e o aplicativo Habitação Caixa. Durante a paralisação, também estão disponíveis o App Caixa, o Internet Banking Caixa, o Caixa Tem, o Cartões Caixa e o atendimento pelo Alô Caixa, nos números 4004 0104, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800 104 0104, para as demais localidades.
A Caixa declarou que segue buscando soluções para preservar os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade. “A CAIXA manteve postura permanente de diálogo com as entidades representativas dos empregados”, afirmou o banco.







