O uso de inteligência artificial e estatística pode ajudar supermercados a prever a demanda, ajustar as compras e reduzir o desperdício de alimentos frescos. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que 40% a 50% das frutas e verduras se perdem entre a roça e a mesa, o maior índice entre as categorias de alimentos.
No Brasil, a Embrapa calcula que mais de 40% da produção de frutas e verduras não chega a ser consumida. Para Marco Perlman, cofundador e CEO da Aravita, o problema não está apenas no transporte, nas câmaras frias ou nas estradas. A origem também está na falta de informação sobre quanto o consumidor vai comprar.
Produtores, distribuidores e supermercados precisam tomar decisões de compra sem saber com precisão qual será a procura. O risco acaba incorporado aos preços e recai principalmente sobre o produtor, que tem menor margem para negociar.
Dentro das lojas, os alimentos frescos passam por mudanças: são pesados, embalados e remarcados. Segundo Perlman, os sistemas nem sempre acompanham essas etapas em tempo real. Com isso, os dados registrados podem divergir do que está disponível na banca, influenciando as decisões de reposição.
Previsão de consumo
A tecnologia permite cruzar informações sobre vendas, entrada e perdas de mercadorias para identificar onde o estoque registrado se afastou da realidade, sem interromper a operação das lojas. Também é possível estimar o consumo por produto e por unidade, considerando clima, promoções e sazonalidade.
Na avaliação de Perlman, previsões mais precisas podem reduzir a falta de produtos nas gôndolas e diminuir o volume descartado. A proposta é substituir decisões baseadas em estimativas por cálculos atualizados diariamente.
O autor afirma que a Aravita aposta nesse tipo de solução depois de quinze anos de experiência na operação. A startup de inteligência artificial atua para ajudar varejistas a otimizar a gestão de frutas, legumes e verduras.
Para Perlman, o desperdício é também um problema financeiro: quando a compra é feita sem dados suficientes, parte do dinheiro investido se perde junto com os alimentos. A melhoria das informações, segundo ele, pode reduzir o risco ao longo da cadeia e aproximar as compras da demanda real.








