Os estados brasileiros voltaram a registrar déficit primário em 2026, pela primeira vez desde 2015. O resultado ocorre enquanto as despesas avançam mais rapidamente do que as receitas e aumenta a pressão sobre os governadores que serão eleitos ou reconduzidos a partir deste domingo, 4.
Dados acompanhados mensalmente pelo Banco Central mostram que os 26 estados registram resultado negativo desde março deste ano. Em agosto de 2026, o déficit acumulado em 12 meses chegou a 13,4 bilhões de reais, o equivalente a 0,10% do produto interno bruto (PIB) nacional.
O economista Murilo Viana, analista de contas públicas da consultoria GO Associados, afirmou que o primeiro ano das novas gestões deverá ser dedicado ao ajuste das contas. Segundo ele, os estados não podem emitir dívida como a União e, com déficits prolongados, podem deixar de pagar fornecedores.
Despesas em alta
A piora interrompe uma sequência de dez anos em que as contas estaduais permaneceram no azul. Esse período começou após a pandemia, em 2020, quando políticas de socorro ampliaram as transferências da União e mantiveram os caixas dos governos regionais em situação favorável.
Com a redução desse efeito e o consumo dos recursos acumulados, as despesas passaram a pesar mais. Entre elas estão os investimentos, que cresceram durante o período de maior disponibilidade financeira, e os gastos com pessoal, incluindo salários de servidores ativos e aposentadorias de inativos.
Em artigo publicado pelo Comsefaz, conselho que reúne as secretarias estaduais de Finanças, Carin Deda, Célia Carvalho, João Marques e Robertos Matos afirmaram que os estados atravessam uma mudança de ciclo fiscal em 2026. O grupo apontou desaceleração da arrecadação e crescimento das despesas obrigatórias acima do ritmo das receitas.
O artigo também registrou que a disponibilidade financeira acumulada continua significativa e que os investimentos estaduais permanecem em nível elevado. Ainda assim, a combinação de receitas em ritmo mais lento e despesas obrigatórias maiores indica um período mais restritivo para as contas dos estados.








