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Juros de 14% reduzem crédito e ampliam pressão sobre empresas e famílias
Economia

Juros de 14% reduzem crédito e ampliam pressão sobre empresas e famílias

Inadimplência empresarial chegou a 9,2 milhões de empresas, enquanto 82% das famílias estão endividadas, segundo dados citados no levantamento.

A taxa Selic em 14% ao ano tornou mais caro o acesso ao crédito e dificultou a renegociação de dívidas no Brasil. Empresas passaram a buscar recursos com mais restrições, enquanto as famílias comprometem uma parcela maior da renda com prestações.

Empresas no limite

Dados da Serasa Experian indicam que 9,2 milhões de empresas estão inadimplentes, com compromissos não pagos que somam 239 bilhões de reais. Quase 6 400 negócios estão em recuperação judicial ou extrajudicial, o maior patamar da história.

Entre os casos recentes estão o Grupo Gennius, dono das redes Habib’s, Ragazzo e Tendal; as varejistas Casas Bahia e Marabraz; e a Braskem, apontada como a maior petroquímica do país. Na terça-feira 1º, a Fertilizantes Heringer conseguiu na Justiça a suspensão por sessenta dias da execução de cobranças para renegociar dívidas de 834 milhões de reais. Um dia antes, a Chilli Beans anunciou uma reestruturação para tentar convencer bancos a reavaliar débitos de 600 milhões.

A Confederação Nacional do Comércio informou que 82% das famílias estão endividadas, também em nível recorde.

Pressão sobre os juros

O aumento dos gastos públicos e os estímulos ao consumo são apontados por especialistas como fatores que pressionam a inflação e mantêm o custo do dinheiro elevado. Desde 2023, economistas calculam que Luiz Inácio Lula da Silva colocou 300 bilhões de reais em circulação.

Entre as medidas estão a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 000 reais mensais, os programas Gás do Povo e Pé-de-Meia e a possibilidade de trabalhadores sacarem o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para quitar dívidas. A dívida pública, por sua vez, passou de 72% para 82% do PIB neste mandato.

Na segunda-feira 31, Lula criticou Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, por manter a Selic nesse nível. Para Jucelia Lisboa, sócia da consultoria Siegen, “É o aumento dos gastos públicos que desequilibra a economia”.

O aperto monetário já aparece nos indicadores. O PIB avançou 1,1% no primeiro trimestre e 0,5% no segundo trimestre deste ano, enquanto o consumo das famílias recuou 0,4%.

Crédito mais seletivo

Bancos passaram a priorizar operações com garantias reais, como imóveis e máquinas. Instituições menores ainda concedem empréstimos sem esse tipo de garantia, mas cobram juros mais altos e oferecem prazos menores.

A Fitch rebaixou a nota de 25 grandes empresas brasileiras de janeiro a agosto. O volume de revisões só ficou abaixo do registrado durante a recessão do governo de Dilma Rousseff.

Programas de renegociação, como o Desenrola, foram usados pelo governo enquanto persistem as dificuldades fiscais. O Move Brasil, lançado em maio para financiar veículos de motoristas de aplicativo e taxistas, tem orçamento de 30 bilhões de reais e juros subsidiados pelo BNDES. A adesão, porém, ficou limitada porque muitos interessados estão inadimplentes ou atingiram o limite de endividamento.

“Quem mais precisa continua sem crédito”, afirmou Eduardo Lima de Souza, presidente da Amasp. Para especialistas, a combinação de estímulos ao consumo, dívida pública elevada e juros altos mantém empresas e famílias sob pressão.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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