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Documentos mostram acordo da LVMH para comprar ações de herdeiro da Hermès
Economia

Documentos mostram acordo da LVMH para comprar ações de herdeiro da Hermès

Acordo de 2002 e pagamentos de ao menos US$ 20 milhões a consultor são contestados em processos na França e na Suíça.

Documentos judiciais mostram que a LVMH assinou, em 2002, um acordo para comprar ações da Hermès pertencentes a Nicolas Puech, herdeiro da família fundadora. A revelação contrasta com uma manifestação apresentada pela empresa à Justiça em junho, na qual negou ter tentado adquirir a participação de 6% do empresário.

A LVMH declarou que nunca cogitou comprar os papéis de Puech contra a vontade dele. A empresa também afirmou que o acordo de 2002 não chegou a ser executado e que o documento foi destruído no fim de 2010. Em um processo na Suíça de 2017, o grupo disse ainda que não conseguiu confirmar se o consultor financeiro Eric Freymond tinha autorização para vender as ações.

Relação com o gestor patrimonial

O acordo foi firmado por Pierre Godé, então braço direito de Bernard Arnault, e Freymond, que administrava o patrimônio de Puech. Documentos judiciais indicam que a LVMH e a holding da família de Arnault pagaram pelo menos US$ 20 milhões em comissões e honorários à empresa de gestão patrimonial de Freymond entre 2001 e 2009.

Nesse período, Freymond ajudou a LVMH a ampliar discretamente sua participação na Hermès. A companhia afirmou que já havia acumulado 4,9% da empresa até 2002. Em 12 de novembro de 2002, Godé e Freymond assinaram um contrato para a compra de milhões de ações de Puech e de outros herdeiros.

Segundo o depoimento do advogado suíço Alexandre Montavon aos promotores franceses, o acordo previa que as aquisições começariam após a saída do então presidente da Hermès, Jean-Louis Dumas. A aposentadoria de Dumas ocorreu apenas em 2006.

Montavon disse que assessorou a LVMH na elaboração do acordo e que também integrava o conselho da empresa de gestão patrimonial de Freymond. O advogado declarou que nunca perguntou diretamente a Puech sobre o contrato porque o herdeiro tinha um representante, referindo-se a Freymond.

“Freymond nos sugeriu realizar essas operações por meio de Nicolas Puech, financiadas pela LVMH, e foi isso o que aconteceu”, afirmou Montavon, segundo a transcrição do depoimento. O advogado nega irregularidades e afirma que nunca soube, na época, que a LVMH teria comprado ações de Puech.

Disputa sobre as ações

Puech afirma que descobriu em 2022 que sua participação havia desaparecido, depois de romper relações com Freymond. No ano passado, abriu uma ação pedindo 14 bilhões de euros em indenização de quem for responsabilizado pelo caso.

A participação de 6% valeria cerca de US$ 10 bilhões pelos preços atuais de mercado. A ação cita como réus a LVMH, Bernard Arnault e empresas ligadas a Freymond.

O consultor morreu em julho de 2025, após ser atingido por um trem na Suíça. Autoridades suíças concluíram que foi suicídio. Antes da morte, Freymond negava qualquer irregularidade.

A investigação criminal francesa também apura a atuação de Montavon. Até o momento, não foram apresentadas acusações criminais contra ele. O que ocorreu com as ações de Puech e com eventuais valores pagos pela compra continua incerto.

A disputa faz parte da rivalidade entre LVMH e Hermès, que se intensificou quando a LVMH revelou, em outubro de 2010, uma participação de 17% na concorrente. O grupo chegou a deter 23% da Hermès e concordou em vender os papéis em 2014.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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