A LVMH encerrou 2025 com receita de 81 bilhões de euros, queda de 5% em relação a 2024. O lucro caiu 13%, para 11 bilhões de euros. A divisão de moda e artigos de couro, que reúne Louis Vuitton e Dior e responde por quase metade do faturamento, foi a principal fonte de pressão.
O grupo francês também perdeu valor de mercado. Depois de superar 450 bilhões de euros em 2023, a capitalização recuou para 203 bilhões de euros, uma queda de mais de 50% em pouco mais de três anos. A LVMH reúne 75 maisons e é dona de marcas como Tiffany, Bulgari, Moët & Chandon e Hennessy.
Menos compradores e preços maiores
O número de consumidores de artigos de luxo no mundo caiu de cerca de 400 milhões em 2022 para 340 milhões em 2025, segundo a consultoria americana Bain. A redução foi de 15% e atingiu principalmente quem compra ocasionalmente bolsas, relógios ou roupas de grife.
Desde 2019, algumas das principais marcas elevaram os preços de 50% a 70%. Com produtos menos acessíveis, as grifes passaram a depender de uma parcela menor e mais rica dos clientes. “O problema é que essa concentração reduz o espaço para crescimento”, afirma Achim Berg, da consultoria alemã de moda Fashion Sights.
A desaceleração não atinge todas as marcas da mesma forma. Hermès e Brunello Cucinelli, associadas a uma percepção mais forte de exclusividade, atravessam o período em situação mais confortável. Gucci e Burberry perderam força, pressionadas pela maior exposição aos consumidores aspiracionais e pela dificuldade de renovar o apelo.
China perde força, Estados Unidos ganham espaço
A China, que impulsionou a expansão do setor na última década, passou a pressionar os resultados em meio à crise imobiliária prolongada e à cautela dos consumidores locais. Os Estados Unidos ganharam importância, especialmente com o aumento das compras de joias.
Dentro da LVMH, moda e artigos de couro recuaram, enquanto os relógios avançaram. Para Luca Solca, consultor da Bernstein Research, “marcas posicionadas no topo da pirâmide do luxo estão apresentando desempenho superior”.
O primeiro semestre de 2026 indicou estabilização, mas ainda não uma recuperação consistente. Nesse cenário, a sucessão de Bernard Arnault, de 77 anos, passou a ter peso estratégico. Principal acionista da LVMH, ele preparou os cinco filhos para funções de comando e afirma que pretende permanecer à frente do grupo por mais oito anos.
A aposta na escassez
Frédéric Arnault, o quarto dos cinco filhos, assumiu o comando da Loro Piana, marca italiana da LVMH conhecida por peças discretas e matérias-primas como caxemira e lã de vicunha. A estratégia defendida por ele é limitar a oferta de alguns produtos, mesmo quando há demanda.
Um exemplo é o mocassim White Sole, vendido por cerca de 1 000 euros. A proposta busca preservar a sensação de raridade enquanto o setor tenta equilibrar exclusividade e escala global. Para a LVMH, os próximos anos reúnem dois desafios: retomar o crescimento e preparar a transferência de poder para a nova geração.








