A disputa entre os hutis e a Arábia Saudita ganhou uma nova frente depois que o grupo avançou sobre áreas estratégicas do Iêmen e passou a controlar pontos no Estreito de Bab el-Mandeb. A movimentação aumenta a pressão sobre Riad, que apoia o governo reconhecido do país e afirma ter realizado 450 bombardeios contra o território iemenita desde o início do mês.
Os hutis também atacaram bases aéreas e cidades sauditas. Um dos ataques teria chegado perto de Meca, mas o grupo, de orientação muçulmana xiita, nega essa ação. A organização exige que os sauditas retirem o apoio ao governo iemenita e paguem indenizações pelos prejuízos do conflito.
Controle de passagem marítima
Em uma ofensiva realizada em poucos dias, os hutis tomaram a cidade portuária de Mocha e alcançaram ilhas no Bab el-Mandeb. O estreito liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e fica no caminho para o Canal de Suez, rota comercial entre a Ásia e a Europa.
O grupo declarou que a navegação continua aberta e segura, mas excluiu os petroleiros sauditas. Por essa passagem circula 8% do petróleo do mundo. A restrição atinge uma rota alternativa usada pela Arábia Saudita diante do fechamento do Estreito de Ormuz.
A situação se agravou depois que drones lançados por aliados do Irã no Iraque atingiram o oleoduto que transportava o petróleo saudita, levando à paralisação da estrutura. Mohammed bin Salman pediu que os Estados Unidos interviessem, mas não obteve o apoio solicitado.
Relação com o Irã
Os hutis mantêm uma parceria com o Irã e já atacaram navios no Mar Vermelho. O grupo tomou Sanaa durante a guerra civil no Iêmen e conseguiu um cessar-fogo com a Arábia Saudita.
Usuários ligados aos hutis tentaram usar modelos de inteligência artificial para desenvolver mísseis avançados, segundo a Anthropic. O movimento ocorre depois do enfraquecimento do Hezbollah e do Hamas, grupos que ocupavam posições centrais na rede de aliados armados de Teerã.
Donald Trump afirmou: “Os hutis nos ligaram e disseram que não querem briga”. Os dois lados chegaram a uma trégua não oficial em maio. Para Farea Al-Muslimi, do Chatham House, o presidente americano enfrenta um dilema entre a proximidade com Mohammed bin Salman e o interesse de Washington em evitar outro confronto militar no Oriente Médio.








