IÊMEN — Rebeldes hutis apoiados pelo Irã tomaram o porto de Mocha, no oeste do Iêmen, nesta quinta-feira, 10. O avanço busca ampliar o controle sobre a costa do Mar Vermelho e se aproximar do estreito de Bab al-Mandab, uma rota essencial para o transporte marítimo entre a Ásia e a Europa.
Nas últimas 48 horas, os hutis avançaram pelo sul da costa oeste do país. O grupo também reivindica o controle de Hays, cidade localizada na interseção entre três províncias, e do acampamento Khalid ibn al-Walid, considerada a maior base militar da região.
O comandante militar do governo iemenita, Tareq Saleh, afirmou que as forças oficiais fizeram uma retirada estratégica ao sul de Mocha para reorganizar o Exército. “As forças armadas na costa oeste pagaram um preço alto – mártires e feridos – nos últimos dias”, disse.
A ofensiva ocorre em meio à escalada entre os hutis e a Arábia Saudita, que apoia o governo do Iêmen. A tomada de áreas da costa e de ilhas no Mar Vermelho pode aproximar o Irã e seus aliados do controle de vias marítimas consideradas essenciais pelos Estados Unidos e pelos sauditas.
Bab al-Mandab é atravessado por cerca de 8% do petróleo consumido no planeta e liga o Mar Vermelho ao Canal de Suez. A passagem ganhou importância desde o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã. Antes da guerra, a rota respondia por 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural.
Escalada regional
Os hutis querem usar o avanço para pressionar a Arábia Saudita e os Estados Unidos a aceitar um acordo que suspenda o bloqueio aos petroleiros iranianos no Golfo. Analistas avaliam que a redução das tensões parece pouco provável, enquanto o grupo tenta abrir uma segunda frente no conflito entre Irã e Estados Unidos.
A escalada começou em julho, quando um avião iraniano pousou no Iêmen. O governo reconhecido internacionalmente respondeu com um ataque ao aeroporto. Na semana passada, os hutis atacaram instalações de energia e cidades do sul da Arábia Saudita com drones e mísseis balísticos.
Na última quarta-feira, 9, as forças sauditas lançaram pelo menos 40 ataques. O canal rebelde Almasirah informou que 32 ataques aéreos atingiram áreas das províncias de Marib, Al Jawf, Taiz e Hodeida. Depois, a emissora relatou mais uma dezena de bombardeios.








