Os avanços dos Houthis no Iêmen, incluindo a tomada de uma ilha estratégica no Mar Vermelho, aumentaram a pressão sobre a Arábia Saudita e agravaram uma crise energética global já severa. O grupo, apoiado e treinado pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), avança com o objetivo de controlar o estreito de Bab al-Mandeb, segundo autoridades americanas.
O governo de Donald Trump sinaliza que não pretende usar diretamente as Forças Armadas dos Estados Unidos contra os Houthis. Até agora, o apoio americano se limita ao fornecimento de informações de inteligência e dados para definição de alvos em ataques sauditas. “Sem ataques ofensivos”, disse uma autoridade americana.
Pressão sobre a Arábia Saudita
Mesmo com esse suporte, a Arábia Saudita não conseguiu impedir a tomada de cidades costeiras importantes do Iêmen. Fontes americanas e do Golfo duvidam que o reino consiga deter o grupo sozinho. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman pediu duas vezes a Trump que autorizasse ataques dos EUA, mas o pedido foi rejeitado até agora.
Os combates entre forças do governo iemenita apoiadas pelos sauditas e os Houthis foram retomados e se intensificaram nas últimas semanas. Uma trégua mediada pela ONU em 2022 havia reduzido as hostilidades entre os dois lados.
Os sauditas acusaram os Houthis de atacar Meca, enquanto o grupo afirmou ter derrubado um caça F-15 saudita. Alertas também soaram pela primeira vez na capital, Riad, no último dia.
Trump disse que os Houthis não querem lutar contra os Estados Unidos e que estariam deixando a maioria dos navios passar. Para Barbara Leaf, ex-diplomata americana, os comentários foram “chocantes”. Os EUA designaram os Houthis como Organização Terrorista Estrangeira em março de 2025.
Efeitos sobre negociações regionais
Fontes do Golfo veem a ofensiva como uma nova frente da guerra com o Irã e avaliam que não haverá progresso nas negociações com Teerã sem uma solução para a atuação dos Houthis. Uma reunião entre países do Conselho de Cooperação do Golfo e o Irã foi cancelada no início desta semana, depois que a Arábia Saudita decidiu não participar por causa de preocupações com um possível acordo sobre a abertura do Estreito de Ormuz.
O conflito também pressiona a capacidade saudita de administrar outras frentes, como um ataque recente ao oleoduto Leste-Oeste, o tráfego de navios-tanque pelo estreito e o transporte de recursos pela região. O reino reduziu nos últimos dias as exportações de petróleo para a Europa no mês de setembro.
Fontes avaliam que uma reação eficaz exigiria tropas adicionais sauditas ou de outros países e uma demonstração de compromisso dos EUA. Também há dúvidas sobre uma solução exclusivamente militar. “Vai enfraquecê-los, sim, mas não vai acabar com eles”, disse uma fonte regional.








