IÊMEN — Forças do governo iemenita, apoiadas pela Arábia Saudita, impediram ataques dos houthis contra a passagem montanhosa de Hejat al-Abd durante a madrugada desta quinta-feira (24). A via é usada para abastecer Áden, cidade portuária no sul do país e sede do governo reconhecido internacionalmente.
A estrada também transporta mercadorias para Taiz, terceira maior cidade do Iêmen, e para áreas rurais ao sul e oeste. Como não há voos comerciais saindo das regiões controladas pelos houthis, a rota é a única disponível para moradores que precisam deixar o país.
Os houthis mantêm a pressão sobre as forças governistas enquanto consolidam áreas conquistadas há quase duas semanas. A ofensiva pela costa oeste levou o grupo às margens do estreito de Bab el-Mandeb, passagem que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra uma rota comercial entre a Ásia e a Europa pelo Canal de Suez.
O domínio de trechos entre Taiz e Áden pode aumentar o cerco sobre Taiz e ampliar as dificuldades do governo para retomar a iniciativa. O avanço ocorreu depois de o grupo conquistar áreas da costa oeste e chegar ao estreito.
Confrontos recentes
Os combates indicam uma escalada na guerra civil do Iêmen, que havia ficado em grande parte congelada desde uma trégua em 2022. Os houthis tomaram Sanaa em 2014, levando a uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita no ano seguinte em apoio ao governo reconhecido internacionalmente.
Nas últimas semanas, os confrontos voltaram a várias antigas linhas de frente, incluindo os arredores de Taiz. Os houthis também tomaram o porto de Mocha e avançaram pelo litoral e pelas ilhas do Mar Vermelho.
Cerca de 7% da produção mundial de petróleo passou pelo estreito em junho, segundo dados da Kpler. A rota alternativa usada pela Arábia Saudita para exportar petróleo também é ameaçada pelo avanço houthi.
Segundo a ONU, mais de 700 pessoas morreram e milhares ficaram feridas nos combates recentes. Quase 130 mil iemenitas foram deslocados dentro do país, enquanto mais de 3 mil fugiram de barco pelo Mar Vermelho para a África.








