MIAMI — A cidade vive uma expansão imobiliária marcada por arranha-céus de luxo, impulsionada pela chegada de fortunas e pela demanda por serviços exclusivos. Ao menos 27 edifícios com mais de 150 metros, ou quarenta andares, estão em construção.
A mudança ganhou força depois que a autoridade de aviação civil dos Estados Unidos passou a permitir prédios de até 320 metros. Entre os principais projetos está a filial do hotel Waldorf Astoria, com inauguração prevista para 2028. O empreendimento deve superar os 290 metros do Cipriani Residences.
A liderança, porém, pode durar pouco. O 888 Brickell by Dolce & Gabbana deve alcançar a mesma altura em 2030. Os projetos oferecem elevadores capazes de transportar carros até os apartamentos, piscinas privativas com vista para o mar, jardins suspensos, restaurantes estrelados, concierge 24 horas e beach clubs privados.
Marcas e dinheiro
Porsche, Aston Martin e o legado da pintora mexicana Frida Kahlo estão entre as marcas associadas às novas torres. “Os lançamentos ligados às grifes são os que mais se valorizam”, afirma o corretor Folko Weltzien, da Miami Realty Solution.
A região metropolitana de Miami é a segunda mais cara dos Estados Unidos, atrás apenas de San Francisco. O preço do metro quadrado ultrapassa 20 000 dólares.
A migração de fortunas antes concentradas na Califórnia e em Nova York também ajuda a explicar o movimento. A Flórida oferece condições fiscais para pessoas com renda anual superior a 1 milhão de dólares. O número de contribuintes nessa faixa passou de 19 450, em 2010, para 77 670, em 2022.
Ken Griffin transferiu a sede do fundo de investimentos Citadel de Chicago para Miami. Mark Zuckerberg pagou 170 milhões de dólares por uma mansão em construção em Indian Creek. O presidente Donald Trump pretende construir uma biblioteca presidencial e um hotel em uma torre de 47 andares, em um terreno doado pela Miami Dade College.
Riscos ambientais
A expansão ocorre em uma área com terrenos porosos e vulnerável a inundações, tempestades e à elevação do nível do mar. O código de construção exige resistência à chamada Zona de Furacões e Ventos de Alta Velocidade, com rajadas de até 300 quilômetros por hora.
“Os impostos podem atrair, mas a segurança patrimonial gera confiança e o lifestyle consolida a decisão”, diz Andrea Panaro, corretora de imóveis na Flórida. Para Luciana Royer, professora de planejamento urbano da FAU-USP, o desafio é garantir que Miami consiga sustentar o crescimento além de construir cada vez mais alto.








