O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24/9) que Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, recebia dinheiro do crime organizado e do Banco Master. Dono da Entre Investimentos e Participações, ele é um dos patrocinadores do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, e foi alvo da Operação Crédito Oculto.
Durigan disse que a empresa fazia parte de uma estrutura usada para ocultar patrimônio, lavar dinheiro e corromper. Segundo o ministro, recursos de diferentes origens teriam sido reunidos em estruturas financeiras ligadas ao Grupo Entre.
“Estamos falando de uma administradora de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso”, declarou Durigan a jornalistas.
Investigação sobre lavagem de dinheiro
A investigação aponta que Mineiro prestava serviços de lavagem de dinheiro para um esquema criminoso ligado ao setor de combustíveis. Ele aparece como “ganhador” de 570 prêmios e apostas.
Durigan também classificou o empresário como uma peça central da estrutura de lavagem de dinheiro ligada a distribuidoras de combustíveis. A Receita Federal identificou movimentações de R$ 11,6 bilhões em estruturas financeiras investigadas na terceira fase da Operação Crédito Oculto.
De acordo com o ministro, os recursos passaram por diferentes camadas de fundos, empresas e instituições financeiras usadas para blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro. Ele citou ainda valores associados ao Banco Master, ao crime organizado e a pessoas que fizeram acordos de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo ou com o Ministério Público Federal.
Recursos para o filme
Antonio Carlos Freixo Júnior firmou um termo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República. A Polícia Federal afirma que a empresa teria sido usada para repasses de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, destinados à produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Os pagamentos eram direcionados ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O dinheiro era administrado para a obra e depois encaminhado à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.
Segundo a investigação, Vorcaro enviou R$ 61 milhões para financiar a produção. Um áudio divulgado pelo The Intercept, que seria de 8 de setembro de 2025, registra um pedido de Flávio Bolsonaro ao banqueiro para bancar o filme e menciona preocupação com atrasos nos pagamentos.







