A relação entre montadoras e clientes passou a continuar depois da venda do veículo. Por meio de aplicativos, os motoristas podem acompanhar a localização e o estado do carro, receber avisos, controlar funções a distância, verificar a manutenção e contratar serviços digitais.
BYD, GWM, Honda e Volkswagen estão entre as fabricantes que oferecem esse tipo de plataforma no mercado brasileiro. Os recursos costumam ser liberados sem cobrança por um período inicial e, depois, passam a funcionar mediante assinatura ou compra de pacotes. Para Maurício Morgado, líder do Centro de Excelência em Varejo da Fundação Getulio Vargas, a disposição do consumidor em pagar depende do valor percebido. “Se o serviço entregar valor, o consumidor aceita pagar por ele”, afirmou.
Assinaturas e novas funções
A GWM concede dois anos de conectividade gratuita. Depois desse prazo, 43% dos clientes continuam com o serviço, segundo a empresa. A plataforma reúne comandos e informações sobre o veículo e, nos modelos elétricos, mostra locais de recarga. A fabricante também amplia as ferramentas disponíveis para estimular a renovação.
“Procuramos oferecer cada vez mais comodidades”, disse Diego Fernandes, diretor de operações da GWM Brasil.
Fora do Brasil, a cobrança por recursos digitais já movimenta valores expressivos. Nos Estados Unidos, a Tesla oferece o Full Self-Driving por 99 dólares mensais. A Mercedes-Benz cobra por um pacote que aumenta a potência do sedã EQE 350 4Matic de 288 para 348 cavalos.
O OnStar, da GM, gerou 800 milhões de dólares de abril a junho deste ano, alta de 20% sobre o mesmo período de 2025. A companhia projeta 1 milhão de assinantes em 2026 e quase 13 milhões até o fim do ano. No mesmo grupo, o Super Cruise ganhou 70 000 usuários no trimestre, enquanto sua receita avançou 70% em um ano.
Dados como ativo
A conexão permanente também permite às empresas analisar o uso dos veículos. A Ford acompanha 400 000 carros conectados na América do Sul e processa 100 milhões de informações por dia em um centro tecnológico em Camaçari, na Bahia. Os dados podem ajudar a apontar sinais de falha antecipadamente e orientar atualizações.
A fabricante testa ainda ferramentas de inteligência artificial para combinar informações sobre o histórico do motorista e do automóvel, apoiando o atendimento nas concessionárias. Paula Perrotta, gerente-sênior de Experiência do Cliente da Ford, afirmou que os dados permitem personalizar ofertas.
O mercado global de serviços digitais para automóveis foi estimado em 290 bilhões de dólares em 2025 e poderá alcançar 4,2 trilhões de dólares até 2034, segundo a Cubic.








