A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que recomenda a substituição do mapa-múndi tradicional pela projeção Equal Earth, considerada mais fiel ao tamanho dos territórios. Com a mudança, o Brasil aparece proporcionalmente maior do que na projeção de Mercator, usada há séculos e popularizada em mapas digitais.
A decisão ocorreu na sexta-feira (4/9), após uma articulação da União Africana. A resolução foi patrocinada pelo Togo e recebeu apoio de 164 nações. Os Estados Unidos votaram contra, enquanto Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia se abstiveram. O texto aprovado não obriga nenhum país a adotar o novo mapa.
Na projeção de Mercator, o Brasil parece ter uma dimensão próxima à do Alasca, embora seja cinco vezes maior que o estado americano. No Equal Earth, a diferença entre os dois territórios fica mais evidente.
Por que os mapas mostram tamanhos diferentes
A projeção de Mercator foi criada no século 16 pelo cartógrafo europeu Gerardus Mercator para facilitar a navegação. Ela permite que o navegador identifique a direção a seguir com base na bússola, mas aumenta visualmente o tamanho das áreas que ficam mais distantes da linha do Equador.
Esse efeito ocorre porque a técnica representa os meridianos como linhas paralelas e equidistantes. Na superfície terrestre, porém, eles se aproximam dos polos. Como não é possível transformar uma superfície curva em uma folha de papel ou tela sem distorções, cada projeção prioriza determinadas características do planeta.
Na Mercator, a Groenlândia e a África parecem ter dimensões semelhantes, apesar de o continente africano ser cerca de 14 vezes maior. O Brasil também parece menor que a Groenlândia, embora seja 3,9 vezes maior que o território dinamarquês.
Campanha pela mudança
A União Africana aderiu há um ano à campanha Correct The Map, que defende o uso do Equal Earth por governos, organizações, escolas e empresas. O objetivo é evitar que a África seja representada como menor do que realmente é.
A vice-presidente da Comissão da União Africana, Selma Malika Haddadi, afirmou que a questão não se limita à cartografia: “Pode parecer apenas um mapa, mas na verdade não é”. O movimento sustenta que a forma como os continentes são apresentados influencia a percepção sobre o poder e a importância de cada região.
A projeção de Mercator continua sendo padrão em aplicativos como o Google Maps e ajudou a formar a imagem mais comum que as pessoas têm do planeta. A Correct The Map afirma que, por mais de 450 anos, a compreensão da África e do mundo foi baseada em uma representação considerada equivocada.
Antes da votação, o ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, defendeu a mudança. “Um mundo justo começa com um mapa justo”, disse. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, também declarou apoio à substituição do mapa de Mercator pelo novo modelo.









