O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta terça-feira, 22, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Candidato à reeleição neste ano, ele foi o primeiro chefe de Estado a falar, em uma tradição de décadas da organização. Donald Trump seria o próximo orador.
Lula afirmou que as Nações Unidas atravessam seu momento mais crítico desde que ele ocupou a tribuna pela primeira vez, em 2003. O presidente criticou a perda de credibilidade da instituição, o enfraquecimento do multilateralismo e a incapacidade do Conselho de Segurança de impedir guerras.
Ele citou o aumento dos conflitos armados, a corrida armamentista e as tensões geopolíticas. Também defendeu a diplomacia como saída para as guerras entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio. Sobre o conflito entre israelenses e palestinos, condenou o genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza e os atos terroristas do Hamas.
Lula alertou que a guerra afeta a população mundial ao elevar os preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos. Ao falar sobre a América Latina e o Caribe, defendeu a soberania dos países e afirmou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Crime, clima e tecnologia
Na área de segurança, o presidente disse que o Brasil está preparado para enfrentar organizações criminosas e rejeitou a necessidade de porta-aviões estrangeiros para vigiar as águas brasileiras. Ele defendeu cooperação para interromper o fluxo de armas e dinheiro usado pelo crime organizado.
Lula citou a criação, em Manaus, do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, com autoridades dos nove países amazônicos. Também afirmou que, em 2025, o Brasil realizou a maior operação contra o crime organizado da história do país e registrou recordes na apreensão de drogas, bens e recursos ilícitos.
A crise climática foi outro eixo do pronunciamento. Lula defendeu a preservação da Amazônia, a redução das emissões e a exploração de recursos naturais com geração de valor no Brasil, transferência de tecnologia e atendimento a setores estratégicos nacionais. Segundo ele, o desmatamento caiu pela metade na Amazônia e atingiu o menor nível em 11 anos.
O presidente também pediu regras para as Big Techs e a inteligência artificial, criticou a disseminação das BETs e afirmou que o Brasil não aceitará a privatização do PIX, descrito por ele como uma infraestrutura pública e gratuita de pagamentos.
Desigualdade e eleições
Na agenda social, Lula defendeu a redução da pobreza e da desigualdade, a valorização do trabalho, investimentos em educação e saúde e a ampliação da proteção social. Ele disse que o fim da escala 6x1 permitiria ao trabalhador ter 2 dias livres por semana.
Ao concluir, afirmou que milhões de brasileiros irão às urnas no dia quatro de outubro para escolher o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Lula declarou que o pleito será transparente e competitivo, com liberdade de expressão para os candidatos, e defendeu o sistema eleitoral brasileiro.
O presidente também afirmou que a democracia brasileira pertence aos brasileiros e que o país continuará soberano.








