O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou ao edifício das Nações Unidas por volta das 9h43, no horário local, enquanto o secretário-geral António Guterres ainda fazia seu discurso. Com a Assembleia Geral em andamento, Trump perdeu parte da fala de despedida do português, que deixa o comando da organização em dezembro.
A chegada não teve a cobertura habitual das grandes emissoras. Não foram divulgadas imagens do presidente atravessando a entrada e subindo a escada rolante até o plenário. Apenas um pequeno grupo de jornalistas o abordou. Uma das repórteres disse que estava credenciada pela ONU.
Restrições à imprensa
A presença reduzida de jornalistas ocorre após medidas adotadas pela Casa Branca contra veículos de comunicação. Na semana passada, Trump determinou o veto de CNN, MS NOW e Politico. Os jornalistas dessas organizações tiveram as credenciais recolhidas ao tentar entrar na sede do governo americano.
Em resposta, as grandes redes de televisão suspenderam a cobertura conjunta que costumavam compartilhar. Os três veículos barrados recorreram à Justiça. Repórteres passaram a buscar credenciamento por outras vias, incluindo a ONU e o gabinete da primeira-dama, Melania Trump. O gabinete liberou o acesso de uma jornalista da CNN a um evento paralelo à Assembleia.
A passagem de Trump pela ONU já havia provocado atritos. Em 2025, a escada rolante parou enquanto ele e Melania subiam ao plenário, e o teleprompter apresentou falha no começo do discurso. Trump recorreu a anotações em papel, classificou o episódio como uma "tripla sabotagem" e pediu uma investigação.
A ONU afirmou que a parada da escada poderia ter sido causada por um integrante da comitiva americana. Também informou que o teleprompter pertencia à equipe do presidente. Neste ano, a organização disse ter adotado medidas para assegurar o funcionamento das escadas.
Temas do discurso
Trump deve defender a ofensiva militar americana no Hemisfério Ocidental, que inclui ataques a embarcações acusadas de traficar drogas. O presidente deve afirmar que os Estados Unidos não aceitarão ameaças na região e poderão usar seu poderio militar.
Um especialista em direito da ONU divulgou, na véspera, um estudo segundo o qual os ataques já mataram mais de 220 pessoas, violaram o direito internacional e podem configurar crimes contra a humanidade.
O presidente também deve defender a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, apresentada por ele como necessária para eliminar a capacidade nuclear iraniana. Cuba deverá ser outro alvo: Trump pretende acusar o regime cubano de manter articulação, por décadas, com grupos radicais de esquerda e redes comunistas nos Estados Unidos.









