SÃO PAULO — A Polícia Federal identificou indícios de uma triangulação financeira de ao menos R$ 6,1 milhões envolvendo empresas e entidades ligadas à empresária Karina da Gama. A apuração embasou a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a operação contra a produtora do filme Dark Horse nesta quinta-feira (10).
Segundo a decisão, os recursos saíram do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado a Karina, foram destinados a empresas terceirizadas e depois transferidos para a Academia Nacional de Cultura (ANC), organização social da cultura também associada à empresária.
As empresas Complexsys Soluções Integradas Ltda. e Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda., pertencentes ao casal André Feldman e Débora Gomes Feldman, prestaram serviços no contrato de wi-fi de R$ 157 milhões firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo. A PF também aponta o uso da Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda., de William Silva Ferreira, e da Distribuidora de Produtos LMS Ltda.
Ao todo, a ANC recebeu R$ 6.175.273,64 dessas empresas. A decisão registra que as movimentações podem indicar o retorno de recursos públicos pagos ao ICB para pessoas ligadas à organização. Flávio Dino afirmou que há “fortes indícios de retorno dos recursos públicos pagos ao ICB”.
André Feldman, Débora Gomes Feldman e William Silva Ferreira foram alvo de buscas da PF e estão proibidos de deixar o Brasil.
O que dizem os citados
A defesa de Karina da Gama informou que apresentou uma reclamação constitucional à Presidência do STF. Segundo os advogados, a medida não trata do mérito da investigação. A defesa também afirmou que a empresária colaborou voluntariamente com a PF e entregou mais de 20 mil laudas de documentos.
A Complexsys declarou que os valores recebidos foram usados apenas na manutenção da rede de wi-fi de São Paulo e que não houve vínculo com o financiamento do filme. A empresa também afirmou que uma perícia independente não encontrou relação com a produtora Go UP.
A Prefeitura de São Paulo negou ligação entre programas municipais e a produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A gestão Ricardo Nunes afirmou que o filme não recebeu recursos municipais e que não identificou irregularidades na parceria com o ICB.
A administração municipal informou ainda que o programa Wifi Livre tem 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos. Disse também que o custo atual de manutenção é de R$ 1.280,80 por ponto, contra R$ 8.899,13 na gestão Haddad. A Controladoria Geral do Município acompanha as investigações e instaurou procedimento em maio de 2026.








