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Investigação sobre filme de Bolsonaro cita possível elo com o PCC
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Investigação sobre filme de Bolsonaro cita possível elo com o PCC

Documentos judiciais relacionam o empresário Alex Bispo a uma investigação sobre o PCC e a contratos públicos ligados à produtora do filme.

Investigações sobre possíveis desvios de recursos públicos para financiar Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL), citam um possível vínculo do empresário Alex Leandro Bispo dos Santos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Alex é apontado pela Polícia Civil como controlador da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., atualmente chamada Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda. A empresa foi subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para executar serviços do projeto WiFi Livre SP, previsto em contrato com a Prefeitura de São Paulo.

O ICB é comandado por Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up, responsável pelo filme. Karina e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo da obra, foram alvos da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de desvio de emendas parlamentares e possível uso de parte dos recursos na produção.

A referência ao PCC aparece em decisões do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 10 de setembro, ao determinar a operação e reunir no STF e na Polícia Federal as investigações sobre desvios de emendas, Dino citou atos ligados à facção e informações de órgãos de inteligência sobre um investigado. O nome não foi mencionado na decisão, mas se tratava de Alex Bispo.

No domingo (13/9), ao retirar o sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo, Dino afirmou que havia uma hipótese de ligação entre diferentes investigações sobre destinação e desvio de recursos públicos, incluindo emendas parlamentares federais e a Prefeitura de São Paulo. O ministro também mencionou vínculos com o PCC.

A defesa de Alex nega que ele integre a facção ou qualquer organização criminosa.

Investigação de feminicídio

A suspeita de ligação com o PCC surgiu em uma investigação da Polícia Civil sobre o feminicídio da ex-companheira de Alex, ocorrido em 29 de novembro de 2025. O Ministério Público de São Paulo denunciou o empresário, e a Justiça recebeu a denúncia.

Em relatório produzido no dia seguinte ao crime, investigadores registraram uma possível relação de Alex com a facção. O documento transcreve um áudio gravado por um vizinho durante uma discussão entre Alex e a vítima. Na gravação, ele diz: “Tenho escorpião do PCC, não devo satisfação”.

A Polícia Civil afirmou que uma pesquisa sobre tatuagens de presos relacionava o escorpião à identificação de integrantes do PCC. O relatório também citou tatuagens de uma carpa e de um dragão e pediu a prisão temporária de Alex.

Em 4 de fevereiro de 2026, o Ministério Público pediu a conversão da prisão temporária em preventiva e usou o áudio como justificativa. A prisão preventiva foi determinada no mesmo dia. Em 6 de agosto, durante audiência de instrução, Alex foi solto com medidas cautelares, mas o Ministério Público recorreu.

Em 10 de agosto, a Justiça decretou novamente a prisão preventiva. Alex não foi localizado desde então e é considerado foragido. A polícia afirma que ele tem antecedentes por diversos roubos e condenações que, somadas, se aproximam de 30 anos de prisão.

Nos documentos do caso, Alex declarou não ter ligação com o PCC ou com qualquer integrante da facção. Ao ser questionado sobre o áudio, disse que possivelmente reconhecia a própria voz. O advogado Eugênio Carlo Malavasi confirmou que Alex está foragido e afirmou que ele não integra organizações criminosas.

Contrato de internet

Segundo documentos da investigação, a empresa ligada a Alex foi subcontratada pelo ICB para o projeto WiFi Livre SP. O contrato tinha valor global de R$ 12 milhões, e mais de R$ 2 milhões haviam sido repassados à empresa até dezembro de 2025.

Os investigadores questionaram a identificação inicial do representante da empresa, que aparecia apenas como “Alex”, sem sobrenome, documento de identidade ou CPF. Depois, o controlador foi identificado como Alex Leandro Bispo dos Santos.

Após a prisão de Alex por feminicídio, a empresa foi transferida formalmente para outra pessoa que, conforme os investigadores, morava no mesmo endereço dele. A polícia levantou a hipótese de que a mudança pudesse ter relação com blindagem patrimonial e ocultação dos controladores efetivos.

A Polícia Federal também investiga recursos destinados ao filme em uma frente que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em julho, a PF pediu ao ministro André Mendonça a abertura de um inquérito sigiloso sobre possíveis crimes relacionados ao financiamento da obra.

Mendonça determinou a investigação sobre possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos. Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que não foi usado dinheiro público na produção.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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