CAXIAS DO SUL — A Produtos Alimentícios Macorteza Ltda., conhecida como Sorvelândia, protocolou pedido de recuperação judicial na Vara Regional Empresarial de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. A empresa busca reorganizar as dívidas e preservar a operação, fundada em 1970 e ainda ativa na fabricação, distribuição e comercialização de sorvetes, picolés, doces gelados e outros produtos congelados.
Na petição inicial, a companhia informa ter R$ 13,4 milhões em créditos sujeitos à recuperação judicial. O passivo total indicado nas projeções contábeis chega a R$ 80 milhões, considerando obrigações de diferentes naturezas.
O passivo submetido ao processo soma R$ 13.449.086,59 e está dividido em três classes de credores. A maior parcela corresponde aos créditos quirografários, de R$ 10,99 milhões. A classe trabalhista reúne R$ 770,2 mil, enquanto os créditos de microempresas ou empresas de pequeno porte totalizam R$ 1,16 milhão. A relação de credores, com nomes, valores atualizados e natureza dos créditos, foi apresentada no processo.
Motivos apontados pela empresa
Antes do pedido principal, a Sorvelândia obteve uma tutela cautelar antecedente que antecipou os efeitos do chamado stay period. A medida suspendeu por 30 dias execuções e atos de constrição contra a empresa.
A companhia atribui a crise financeira a fatores acumulados nos últimos anos, como aumento da concorrência, redução das margens comerciais, sazonalidade do consumo, efeitos econômicos da pandemia, encarecimento do crédito, alta dos juros e aumento dos custos de matérias-primas, embalagens, energia elétrica e logística refrigerada.
A empresa também aponta impactos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Conforme a petição, determinados insumos e embalagens plásticas tiveram aumentos próximos de 70% em alguns períodos, sem repasse integral aos consumidores por causa da pressão competitiva.
Próximas etapas
A Sorvelândia afirma que mantém estrutura produtiva, marca, clientes, fornecedores, trabalhadores e capacidade de geração de receitas. A empresa diz que o problema está no desequilíbrio entre o passivo acumulado e o fluxo de caixa disponível no curto prazo, e não na falta de mercado ou de capacidade produtiva.
Nascida em Caxias do Sul a partir de uma produção artesanal da família Zadra, a companhia começou com produtos vendidos por dois carrinhos de picolé. Depois, ampliou a estrutura industrial, incorporou tecnologia e diversificou o portfólio, que inclui sorvetes sem lactose, gelatos, itens à base de açaí e produtos sem adição de açúcar.
A empresa atende diferentes regiões do Rio Grande do Sul e também atua em Santa Catarina. A operação depende de câmaras frias, freezers, conservadoras, expositores refrigerados e logística especializada.
Com o processamento do pedido, a próxima etapa será a apresentação do Plano de Recuperação Judicial, que deve detalhar as medidas para a reorganização financeira. Pela legislação, o documento deve ser apresentado em até 60 dias após a publicação da decisão que deferiu o processamento. Depois, os credores poderão analisar as condições e votar pela aprovação ou rejeição do plano.








