Donald Trump atacou Dario Amodei, CEO da Anthropic, depois que o executivo defendeu uma redução no ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados de inteligência artificial (IA). O episódio ampliou o conflito entre o governo dos Estados Unidos e parte do setor de tecnologia sobre segurança e regulação da tecnologia.
Em uma publicação feita na segunda-feira, 14, Trump chamou de “conspiração doente” a reação de eleitores à expansão de data centers de IA e ao aumento da preocupação com os chamados modelos de fronteira, sistemas considerados os mais avançados em capacidade e escala.
O presidente afirmou que o único “guardrail”, mecanismo de proteção e restrição para sistemas de IA, necessário seria um presidente “forte e inteligente”. Trump também disse que os Estados Unidos estão à frente da China na corrida pelo setor.
A declaração ocorreu depois de o presidente reconhecer, durante o fim de semana, a necessidade de algum tipo de regulamentação para a inteligência artificial. Ao mesmo tempo, Trump vem rejeitando alertas sobre riscos de segurança e tratando a disputa tecnológica com a China como prioridade.
Amodei havia defendido, dias antes, que as empresas de tecnologia diminuíssem o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados. A proposta, segundo ele, permitiria ao setor compreender melhor os possíveis riscos desses sistemas. Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceXAI, também apoiaram a posição.
A administração Trump formalizou uma política favorável ao desenvolvimento e à adoção de inteligência artificial nos Estados Unidos em uma ordem executiva assinada no início de junho. O governo transformou a expansão da tecnologia em um dos pilares de sua agenda e defende uma abordagem regulatória com poucas restrições.
O atrito com a Anthropic já vinha de meses. A empresa passou a exigir restrições para o uso militar de seus sistemas de IA, o que provocou novos choques entre Amodei, Trump e integrantes da administração. Em resposta, o Departamento de Defesa classificou a Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos.
A disputa também envolve a expansão dos data centers, instalações usadas para processar grandes volumes de dados. Essas estruturas enfrentam resistência política e local por causa do consumo de energia e da infraestrutura necessária para sustentar o crescimento da IA.








